Semeando o Evangelho

Semeando o Evangelho
Semear a Verdade e o Amor de Deus

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Devocional Alegria Inabalável - John Piper

COMO SERVIR A UM MAU CHEFE

Versículo do dia: Servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens, certos de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre. (Efésios 6.7-8)

Considere estes cinco aspectos de Efésios 6.7-8 em relação ao seu trabalho.

1) Um chamado a viver radicalmente centrado no Senhor.

Isso é surpreendentemente comparado com a forma como normalmente vivemos. Paulo diz que todo nosso serviço deve ser feito como serviço a Cristo, não a qualquer supervisor humano. Sirva de boa vontade “como ao Senhor” e não ao homem.

Isso significa que pensaremos no Senhor no que fazemos no trabalho. Nós perguntaremos: Por que o Senhor gostaria que isso fosse feito? Como o Senhor gostaria que isso fosse feito? Quando o Senhor gostaria que isso fosse feito? O Senhor me ajudará a fazer isto? Que consequência isso terá para a honra do Senhor? Em outras palavras, ser cristão significa viver radicalmente centrado no Senhor.

2) Um chamado para ser uma boa pessoa.

Uma vida centrada no Senhor significa ser uma pessoa boa e fazer coisas boas. Paulo diz: “De boa vontade” sirva… “se fizer alguma coisa boa…”. Jesus disse que quando deixarmos nossa luz brilhar, os homens verão nossas “boas obras” e glorificarão o nosso Pai que está nos céus (Mateus 5.16).

3) Poder para fazer um bom trabalho para chefes mundanos e maus.

O objetivo de Paulo é capacitar os cristãos com motivos centrados no Senhor a fazerem o bem a chefes que não são bons. Como você continua fazendo o bem em um trabalho quando seu chefe o ignora ou até mesmo o critica? A resposta de Paulo é: pare de pensar em seu chefe como seu principal supervisor e comece a trabalhar para o Senhor. Faça isso nos próprios deveres dados a você por seu chefe terreno.

4) Encorajamento de que nada de bom é feito em vão.

Talvez a frase mais maravilhosa de todas seja esta: “se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor”. Isto é surpreendente. Alguma coisa boa. Toda pequena coisa que você faz que seja boa é vista e valorizada pelo Senhor.

E ele te recompensará por isso. Não no sentido de que você mereceu qualquer coisa, colocando-o em dívida. Ele é o seu dono e de tudo no universo. Ele não nos deve nada. Porém, ele livre e graciosamente escolhe recompensar as coisas boas feitas em fé.

5) Encorajamento de que uma posição insignificante na terra não é obstáculo para grande recompensa no céu.

O Senhor recompensará todas as coisas boas que você fizer — “quer seja servo, quer livre”. Seu chefe pode pensar que você não é ninguém. Ou mesmo pode não saber que você existe. Isso não importa. O Senhor sabe que você existe.

Devocional extraído de “Lord-Focused Living at Work” [Vivendo Focado no Senhor em Seu Trabalho]

Devocional Do Dia - Charles Spurgeon

Versículo do dia: “Busquei-o e não o achei.” (Cântico dos Cânticos 3.1)

Diga-me onde você perdeu a companhia de Cristo, e eu lhe direi o lugar mais provável onde poderá encontrá-Lo. Perdeu a Cristo em seu quarto, porque não O tem buscado em oração? Então, é ali que deve procurá-Lo e encontrá-Lo. Perdeu a Cristo por causa de pecado? Não encontrará a Cristo de nenhuma outra maneira, exceto por meio de abandonar o pecado e de buscar o Espírito Santo, para mortificar o membro em que habita a concupiscência. Perdeu a Cristo por negligenciar as Escrituras? Você tem de encontrá-Lo nas Escrituras.

É verdadeiro o ditado: “Procure algo onde você o perdeu e ali o achará”. Procure a Cristo onde você O perdeu. Ele não foi embora. Retornar a Cristo é um trabalho duro. John Bunyan nos conta que o Peregrino considerou muito árdua a parte do caminho de volta até a árvore agradável, onde ele havia perdido o seu rolo selado. Avançar trinta quilômetros é melhor do que retornar um quilômetro e meio em busca de evidências perdidas. Tenha o cuidado de, ao encontrar o seu Senhor, apegar-se a Ele com intimidade. Mas como você o perdeu? Alguém pode ter pensado que você nunca se afastaria de um Amigo tão precioso, cuja presença é doce, cujas palavras são consoladoras. Como você pôde não ter mantido os olhos nEle o tempo todo, pelo temor de perdê-Lo de vista? Entretanto, embora O tenha deixado ir; é sinal de misericórdia, o fato de você O estar procurando. Apesar de gemer pesarosamente: “Ah! Se eu soubesse onde poderia achá-Lo!” Continue, visto que é perigoso ficar sem o seu Senhor. Sem Cristo, você é como uma ovelha sem pastor; como uma árvore sem água nas raízes; como uma folha seca numa tempestade – sem ligação com a árvore que lhe daria vida. Busque-O com todo seu coração, e você o achará. Empenhe-se de forma completa nesta busca e, verdadeiramente, para sua alegria, O descobrirá.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

O DEUS QUE ORA: EXEMPLO - JONAS MADUREIRA


UM PANORAMA HISTÓRICO DO GNOSTICISMO

Por Justo Gonzalez

Sob o título geral de “gnosticismo” estão incluídas diversas doutrinas religiosas que floresceram no século 2. A principal característica dessas doutrinas era seu sincretismo.14 Os gnósticos poderiam lançar mão de qualquer doutrina que achassem valiosa, sem qualquer preocupação com respeito à sua origem ou ao contexto do qual fora tomada. Quando os gnósticos entraram em contato com o Cristianismo primitivo e viram seu grande apelo, tentaram se apossar daqueles aspectos do Cristianismo que pareciam mais importantes para eles, adaptando-os a seus sistemas. Esse procedimento propôs um desafio urgente para aqueles cristãos que não o aceitavam. Tornou-se necessário mostrar que o gnosticismo deturpava a doutrina cristã; era preciso apresentar as razões pelas quais não se deveria converter Jesus Cristo em um mero elemento dentro de um sistema gnóstico.15

Tem havido um debate erudito muito grande a respeito das origens do gnosticismo, mas é provável que, por causa da própria natureza sincretista do gnosticismo, tal debate nunca possa ser decidido. O gnosticismo faz uso do dualismo persa, dos mistérios orientais, da astrologia babilônica, da filosofia helenística e praticamente de todas as doutrinas que circulavam no século 2. Portanto, o dito de Harnack segundo o qual o gnosticismo é “uma aguda helenização do Cristianismo” não é inteiramente preciso. Embora seja verdade que há fortes influências gregas no gnosticismo, é também verdade que esta é apenas uma das muitas fontes das quais os mestres gnósticos beberam.16

 Apesar de haver elementos especulativos muito importantes no gnosticismo, o fato desse ensino ser usualmente apresentado como um conjunto de sistemas de especulações numerológicas tornou impossível entender como tal doutrina pode ter sido um rival tão forte da igreja. O fato do gnosticismo ter se tornado uma alternativa atraente em relação ao Cristianismo ortodoxo deve-se, sobretudo, a seu interesse soteriológico. A fim de entender este apelo, deve-se interpretar o gnosticismo, acima de tudo, como um modo de salvação. O cosmopolitanismo que acompanhou as conquistas de Alexandre tinha sua contraparte no individualismo das pessoas. Acreditava-se que as antigas religiões nacionais não eram mais capazes de satisfazer às necessidades do indivíduo. Por esta razão, os séculos nos quais o Cristianismo começou a conquistar seu espaço no mundo foram caracterizados por uma procura pela salvação individual; consequentemente, nesse tempo, houve um crescimento daquelas religiões que proclamavam oferecê-la – e além do Cristianismo, assim faziam as religiões de mistério e o gnosticismo.

Dessa forma, o gnosticismo é, sobretudo, uma doutrina de salvação. Mas, para essa doutrina, qual é a natureza de tal salvação?17 De acordo com o gnosticismo, a salvação consiste na libertação do espírito, uma vez que este está escravizado por causa de sua união com coisas materiais. Nos seres humanos, o corpo e a “alma animal” pertencem ao mundo material, pois a alma é aquilo que dá ao corpo sua vida, desejos e paixões.18 O espírito na verdade não pertence a este mundo; é parte da substância divina. Por alguma razão que é normalmente explicada mitologicamente, o espírito caiu neste mundo e se tornou um prisioneiro da matéria. Sendo assim, é necessário libertar o espírito desta prisão; e isto é obtido por meio do conhecimento ou gnosis – por isso o nome de gnosticismo.

Tal conhecimento não consiste em mera informação. Trata-se, em vez disso, de uma iluminação mística resultante da revelação do eterno. O conhecimento é, então, uma compreensão da situação humana, do que fomos outrora e do que deveríamos nos tornar; por meio do conhecimento podemos ser libertos dos laços que nos prendem ao mundo material. Por outro lado, estamos de tal forma escravizados por nossa união com a matéria que somos incapazes de conhecer a verdade eterna por nossos próprios meios; isso torna necessário que um mensageiro seja enviado do mundo espiritual transcendente a fim de nos trazer sua revelação libertadora. Esse mensageiro é característico em todos os sistemas gnósticos, e no gnosticismo cristão é Cristo quem realizará esta missão.19

De qualquer forma, a doutrina da salvação deve estar baseada em uma compreensão de nosso lugar no universo, e esta é a função das complicadas construções especulativas dentro dos vários sistemas gnósticos. Se o espírito está aprisionado na matéria, deve haver uma razão para esta condição; e esta razão os gnósticos tentam oferecer por meio de suas especulações.20 Há duas características principais nestas especulações: seu dualismo derivado e sua numerologia. O dualismo do gnosticismo, que por muitos eruditos têm sido enfatizado como uma de suas principais características, não é um dualismo primário ou inicial; ao contrário, resulta de um monismo inicial.21 As especulações gnósticas são traçadas a partir de um único princípio eterno, do qual outros princípios ou aeons são produzidos em um processo declinante, até – geralmente é dito, devido a um erro em um dos aeons anteriores – o mundo material ser produzido. Assim aparece o dualismo derivado entre a matéria e o espírito, ou entre o celestial e o terreno. Dentro do processo de produção dos vários níveis de aeons, a numerologia – outra característica muito comum na especulação helenística – representa um papel importante, pois os aeons geralmente são produzidos seguindo certos modelos numéricos. A cosmologia gnóstica nasce de tal combinação entre o dualismo derivado e a especulação numerológica, e é caracterizada por uma complexa série de aeons que ficam entre o absoluto e o mundo material. Estes seres são frequentemente vistos como esferas que o espírito deve atravessar em seu retorno à eternidade.

Finalmente, a ética dos gnósticos está baseada em sua antropologia e cosmologia. Partindo-se da premissa de que qualquer bem que exista em nós deve ser encontrado em nosso espírito, sendo o corpo por natureza mau, pode-se chegar a duas conclusões opostas. Primeira: o corpo deve ser sujeito ã estrita disciplina e deve-se viver uma vida ascética; segunda, uma vez que qualquer coisa que se faça com o corpo não implica em qualquer diferença, uma vez que o corpo não danifica a pureza do espírito, então se pode permitir ao corpo fazer o que lhe agrada. É por esta razão que algumas seitas gnósticas eram extremamente ascéticas enquanto outras eram libertinas.22

Quando ocorria a combinação da cosmovisão geral gnóstica com o Cristianismo, muitos cristãos sentiam que sua fé era ameaçada em três pontos básicos: a doutrina da criação e do governo divino sobre o mundo, a doutrina da salvação e a Cristologia.

O gnosticismo era oposto à doutrina cristã tradicional da criação porque via no mundo material, não a obra do Deus eterno, mas o resultado de um erro cometido por um ser inferior, mal ou ignorante. De acordo com os gnósticos, as coisas deste mundo não são simplesmente indignas, mas até mesmo más. Afirmações como essa se opõem às linhas-mestras da tradição judaico-cristã, que afirma a criação de todas as coisas por Deus, o qual continua a agir na história do mundo.

Desta primeira discordância entre o gnosticismo e o Cristianismo tradicional, seguiu-se uma discordância similar com relação à doutrina da salvação. Segundo o gnosticismo, a salvação consiste na libertação do espírito divino e imortal que está aprisionado dentro do corpo humano. O papel do último no plano da salvação é simplesmente negativo. Em oposição a este conceito, a maioria dos cristãos afirmava a inclusão do corpo humano na salvação e que o cumprimento final do plano de Deus para a salvação não acontecerá à parte da ressurreição do corpo.

Finalmente, o dualismo gnóstico teve consequências desastrosas quando aplicado à Cristologia. Se a matéria, e sobretudo esta matéria que forma nosso corpo, não é o produto da vontade divina, e sim de algum outro princípio que é oposto a essa vontade, segue-se que esta matéria e o corpo humano não podem servir como um veículo para a revelação do Deus supremo. Sendo assim, Cristo, que veio para tornar esse Deus conhecido a nós, jamais poderia ter vindo em carne. Seu corpo não pode ter sido um verdadeiro corpo físico, mas apenas uma aparência corpórea. Seus sofrimentos e sua morte não podem ter sido reais, pois é inconcebível que o espírito divino dar-se-ia desse modo a si mesmo ao poder cruel e destrutivo da matéria. Dessa maneira, é legado dos gnósticos a doutrina cristológica conhecida como docetismo – no grego, parecer ou supor – à qual já nos referimos ao discutir os oponentes de Inácio de Antioquia.24 Em oposição a esta teoria, a maioria dos cristãos afirmava que em Jesus de Nazaré – em seu corpo, em sua vida, em seus sofrimentos, em sua morte e em sua ressurreição – deve ser encontrada a revelação salvadora de Deus. É por essa razão que tais cristãos viam o gnosticismo não como uma versão diferente de sua própria fé, mas como uma tentativa de despojar esta fé do próprio coração de sua mensagem.

Ainda que as escolas gnósticas sejam muitas, e o relacionamento entre elas não seja claro, pode-se tentar descrever alguns de seus sistemas como um meio de ilustrar suas características gerais.

Nosso conhecimento do gnosticismo deriva de seus escritos e das obras nas quais alguns antigos escritores cristãos os atacam. Até poucas décadas atrás, achava-se que somente um número muito limitado de escritos gnósticos tinha sobrevivido, e os eruditos eram forçados a seguir apenas o testemunho de escritos dirigidos contra eles. Naturalmente, a questão que sempre foi deixada sem resposta era até que ponto estes escritos antignósticos seriam confiáveis. Recentemente, foi descoberta uma grande quantidade de material gnóstico; com isso, nosso conhecimento do gnosticismo foi grandemente ampliado e esclarecido.25

De acordo com uma tradição muito antiga, cujo primeiro expoente é Justino,26 Simão, o mago, foi o fundador do gnosticismo.27 Historicamente, o que parece ser verdadeiro não é que Simão fundou este tipo de religião, mas que no capítulo 8 de Atos temos um relato de um dos mais antigos embates entre o Cristianismo e o gnosticismo. Em Samaria, onde Simão vivia, havia pessoas de várias partes do mundo antigo. Isso fez com que ali se desenvolvesse uma atmosfera muito adequada para uma doutrina sincretista, tal como o gnosticismo. De acordo com Justino e outros antigos escritores cristãos, Simão, o Mago, tinha muitos seguidores. Ele reivindicava que era o próprio Deus, ou que tinha o poder de Deus, e que sua companheira Helena era o Espírito Santo. O livro de Atos afirma que ele foi batizado como cristão. Apesar de não haver evidências de que ele tenha se apropriado de outras doutrinas cristãs, este episódio ilustra o espírito sincretista do gnosticismo.

Menandro, um discípulo de Simão, o Mago, foi uma pessoa obscura que à primeira vista parece ter sido um judeu gnóstico e não um cristão. Segundo antigos heresiologistas,28 Menandro era especializado em magia, como seu mestre tinha sido antes dele. Ele declarava que ele mesmo era o salvador, enviado pelos seres celestiais como seu mensageiro, a fim de ensinar os procedimentos mágicos pelos quais seria possível subverter os anjos que criaram este mundo e que continuavam a manter a humanidade na escravidão.

Provavelmente, o primeiro gnóstico que tentou reinterpretar o evangelho cristão foi Cerinto. Ele viveu em Éfeso, perto do fim do século 1, e em seu sistema se encontra o dualismo derivado que é característico do gnosticismo em geral. Ele também fez distinção entre Jesus e Cristo: Jesus era o homem, filho de Maria e José, enquanto Cristo era o ser divino que desceu sobre Jesus em seu batismo. Portanto, Cerinto não era um docetista no sentido estrito, embora ele solucionasse o problema da união da humanidade com a divindade em Cristo estabelecendo uma distinção radical entre elas. Quando Cristo completou sua missão como um mensageiro para a humanidade, ele abandonou a Jesus, e foi o último que sofreu, morreu e ressuscitou dos mortos, pois o próprio Cristo é impassível. De acordo com a tradição, o grande oponente de Cerinto em Éfeso foi São João – seja ele quem for.30 Ressalte-se que a Primeira Epístola de João incluída em nosso Novo Testamento parece ter se endereçado diretamente contra ele.31

Por outro lado, o gnosticismo estava admiravelmente bem ajustado ao espírito sincretista de seu tempo. Cada mestre tomava de outros qualquer coisa que parecesse conveniente, de forma que as seitas e escolas estavam tão misturadas que os historiadores modernos simplesmente devem confessar que são incapazes de estabelecer distinções precisas entre as várias tendências gnósticas. Dessa maneira, se o gnosticismo representa um problema acadêmico para o historiador, representou um problema urgente para os cristãos nos séculos 2 e 3, que viam sua fé ameaçada não somente por violentos ataques externos, mas também – e até mesmo de forma mais aguda – por doutrinas que tentavam se apropriar daquilo que consideram os aspectos mais valiosos do Cristianismo. Tais doutrinas tentavam apresentar esses aspectos do Cristianismo de tal maneira que os tornassem mais facilmente aceitáveis a seus contemporâneos.

TENTADO

Leia antes: Lucas 4:1-2
“Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, onde, durante quarenta dias, foi tentado pelo diabo. Não comeu nada durante esses dias e, ao fim deles, teve fome” (Lc 4:1-2). Em Gênesis Deus viu que tudo era muito bom após criar o primeiro homem. Porém logo veio Satanás para tentá-lo e Adão caiu. Quando o segundo homem entra em cena Deus declara ter nele o seu prazer e mais uma vez Satanás vem tentá-lo. Mas agora ele encontra um homem cheio do Espírito Santo, impermeável ao pecado e incapaz de pecar.

Jesus não passa apenas pelas três tentações detalhadas neste capítulo 4 de Lucas. Ele é tentado durante quarenta dias. O primeiro homem foi tentado no conforto do Éden, onde não havia fome, sede ou calor. Quando o segundo homem é tentado, ele está em um deserto, o mesmo deserto em que nós vivemos. Por isso em Hebreus diz que “naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados… porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 2:18; 4:15).

Neste versículo, onde diz “sem pecado” não quer dizer “sem pecar”, mas “exceto o pecado” ou “pecado à parte”. Jesus não tinha o pecado como nós temos, que gera uma resposta à tentação. Ele só podia ser tentado de fora para dentro, e não de dentro para fora como ocorre conosco. Tiago explica que cada um “é tentado pela própria cobiça, sendo por esta, arrastado e seduzido. Então a cobiça, tendo engravidado, dá à luz o pecado; e o pecado, após ter-se consumado, gera a morte” (Tg 1:13-15).

Embora o crente em Cristo traga em si a possibilidade de responder à tentação, a Palavra de Deus afirma que ele está equipado para suportá-la. Em 1 Coríntios diz que “não sobreveio a vocês tentação que não fosse comum aos homens. E Deus é fiel; ele não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar. Mas, quando forem tentados, ele lhes providenciará um escape, para que o possam suportar” (1 Co 10:13).

Há quem alegue que se Jesus não podia pecar, então ele não podia ser tentado como nós. A Bíblia diz que “como nós, em tudo foi tentado”; não diz que “como nós sucumbiu à tentação”. Por ser Deus e Homem, seria impossível Jesus pecar. Alguns dizem que o Homem Jesus poderia cair em pecado, mas o Deus Jesus não, o que é um absurdo. Após a sua encarnação, além de ser perfeito Deus, ele se tornou perfeito Homem, e assim igualmente sem pecado. Se Jesus tivesse em si o pecado ou fosse capaz de pecar, ele não seria o “cordeiro sem mancha e sem defeito” exigido para o sacrifício pelo pecador (1 Pe 1:19).

Por Mario Persona

FORÇA PARA O DIA - DEVOCIONAL JOHN MACARTHUR

BUSCANDO O CONHECIMENTO DE DEUS

Na verdade, considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele perdi todas as coisas e as considero como lixo, para ganhar a Cristo (Filipenses 3:8).

O maior desejo de Deus para nós é que possamos buscar diligentemente conhecê-Lo.

Conhecer a Deus e tudo o que Ele revelou sobre si mesmo é a maior busca da vida. “O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria; conhecer o Santo é ter entendimento” (Provérbios 9:10). Essa realização deve realmente ser o ponto de partida para todas as outras atividades da vida.

Como Davi deu seu trono a seu filho, Salomão, seu conselho principal era que Salomão buscasse conhecer a Deus: “Quanto a você, meu filho Salomão, conheça o Deus de seu pai e sirva-o de coração íntegro e espírito voluntário, porque o SENHOR esquadrinha todos os corações e penetra todos os desígnios do pensamento. Se você o buscar, ele se deixará achar por você; mas, se você o abandonar, ele o rejeitará para sempre” (1 Crônicas 28:9).

Conhecer a Deus não somente determina a qualidade da vida presente, mas também o destino da própria vida na eternidade. Jesus disse: “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3). A vida eterna é simplesmente conhecer a Deus de uma maneira íntima para o resto da eternidade. Começa aqui na Terra, quando acreditamos em Cristo e participamos de Sua própria natureza e vida.

Como podemos conhecer a Deus? O Senhor diz: “Vocês me buscarão e me acharão quando me buscarem de todo o coração” (Jeremias 29:13). Salomão nos ensina: “[…] sim, se você pedir inteligência e gritar por entendimento; se buscar a sabedoria como a prata e a procurar como se procuram tesouros escondidos, então você entenderá o temor do SENHOR e achará o conhecimento de Deus” (Provérbios 2:3-5). Esta busca de Deus deve ser nossa principal prioridade na vida. Caso contrário, é tão fácil distrair-se com a busca do dinheiro, do sucesso profissional, do poder pessoal, do prestígio, ou qualquer esforço mundano que exija nosso tempo e energia.

Sugestão para oração

Agradeça ao Senhor por conhecê-lo pessoalmente.

Estudo adicional

Leia 2 Pedro 1:1-11.

Quais são os benefícios para aqueles que conhecem a Deus?

Quais as qualidades que devem ser evidentes em sua vida?

Devocional Alegria Inabalável - John Piper

O REMÉDIO PARA O ORGULHO

Versículo do dia: Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo. Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna. (Tiago 4. 13-16)

Quando você considera três categorias de tentação de autossuficiência — sabedoria, poder e riquezas — elas formam um forte incentivo para a forma final de orgulho, a saber, o ateísmo. A maneira mais segura de permanecermos supremos em nossa própria estima é negar qualquer coisa acima de nós.

É por isso que os orgulhosos se preocupam em olhar para os outros. “Um homem orgulhoso está sempre olhando de cima para as coisas e pessoas, e, claro, enquanto você está olhando para baixo, não consegue ver algo que está acima de si mesmo” (C. S. Lewis, Mere Christianity [Cristianismo Puro e Simples – WMF Martins Fontes]).

Porém, para preservar o orgulho, pode ser mais fácil proclamar que não há nada acima para olhar. “O perverso, na sua soberba, não investiga; que não há Deus são todas as suas cogitações” (Salmo 10.4). Em última análise, os orgulhosos devem convencer a si mesmos de que não há Deus.

Uma razão para isso é que a realidade de Deus é esmagadoramente intrusiva em todos os detalhes da vida. O orgulho não pode tolerar o envolvimento íntimo de Deus gerindo até mesmo os assuntos ordinários da vida.

O orgulho não gosta da soberania de Deus. Portanto, o orgulho não gosta da existência de Deus, porque Deus é soberano. Isso poderia ser expresso ao dizer: “Não há Deus”. Ou pode se expresso ao dizer: “Dirigirei até São Paulo para o Natal”.

Tiago diz: “Não tenha tanta certeza”. Em vez disso, diga: “Se o Senhor quiser, viveremos e iremos a São Paulo para o Natal”. A questão de Tiago é que Deus governa sobre se iremos a São Paulo e se você viverá até o final deste devocional. Isto é extremamente ofensivo para a autossuficiência do orgulho: não ter controle nem mesmo sobre chegar ao final deste devocional sem ter um derrame!

Tiago diz que não crer nos direitos soberanos de Deus de conduzir os detalhes do seu futuro é arrogância.

A maneira de combater essa arrogância é ceder à soberania de Deus em todos os detalhes da vida e descansar em suas promessas infalíveis de mostrar-se poderoso em nosso favor (2Crônicas 16.9), de nos seguir com bondade e misericórdia a cada dia (Salmo 23.6), de trabalhar para aqueles que esperam por ele (Isaías 64.4) e nos capacitar com tudo o que nós precisamos para viver para a sua glória (Hebreus 13.21).

Em outras palavras, o remédio para o orgulho é a fé inabalável na graça futura de Deus.

Devocional extraído do livro “Future Grace” [Graça Futura – Shedd Publicações]