SERVIDO AO SERVIR OUTROS
Versículo do dia: Jesus, percebendo-o, lhes perguntou: Por que discorreis sobre o não terdes pão? Ainda não considerastes, nem compreendestes? Tendes o coração endurecido? (Marcos 8.17)
Depois que Jesus alimentou os cinco mil e os qutro mil com apenas alguns pães e peixe, os discípulos entraram em um barco sem pão suficiente para si mesmos.
Quando começaram a discutir sobre a sua situação, Jesus disse: “Por que discorreis sobre o não terdes pão? Ainda não considerastes, nem compreendestes?” (Marcos 8.17). O que eles não entenderam?
Eles não entenderam o significado das sobras, ou seja, que Jesus cuidará deles quando cuidam de outros. Jesus diz:
“De quando parti os cinco pães para os cinco mil, quantos cestos cheios de pedaços recolhestes? Responderam eles: Doze! E de quando parti os sete pães para os quatro mil, quantos cestos cheios de pedaços recolhestes? Responderam: Sete! Ao que lhes disse Jesus: Não compreendeis ainda? (Marcos 8.19-21)
Entender o quê? As sobras.
As sobras foram para aqueles que serviram. Na verdade, na primeira vez havia doze servidores e doze cestos restantes (Marcos 6.43). Na segunda vez, sobraram sete cestos: o número da completude abundante.
O que eles não entenderam? Que Jesus cuidaria deles. Você não pode dar mais do que Jesus. Quando você gasta sua vida por outros, suas necessidades serão atendidas.
Semeando o Evangelho
Semear a Verdade e o Amor de Deus
quarta-feira, 11 de julho de 2018
Devocional Do Dia - Charles Spurgeon
Versículo do dia: “Ele te livrará do laço do passarinheiro.” (Salmos 91.3)
Deus livra o seu povo do laço do passarinheiro em dois sentidos: do laço e para fora dele. Em primeiro lugar, Deus os livra do laço – não permitindo que seu povo entre nele. Em segundo lugar, se eles forem apanhados no laço, Deus os remove para fora dele. A primeira promessa é para alguns a mais preciosa, e para outros, a segunda é a melhor. “Ele te livrará do laço do passarinheiro”. De que maneira? Frequentemente, a aflição é o meio pelo qual Deus nos tira do laço. Deus sabe que nosso desvio culminará em nossa ruína e, em sua misericórdia, nos envia a correção. Nós dizemos: “Senhor, por que isso está acontecendo?” – sem saber que o problema que enfrentamos é o meio pelo qual somos libertos de um mal pior. Assim, muitos têm sido salvos da ruína graças a aflições e cruzes; estas têm afugentado os pássaros das redes.
Em outras ocasiões, Deus guarda o seu povo do laço do passarinheiro, dando-lhes vigor espiritual, de modo que, ao serem tentados, eles podem dizer: “Como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?” (Gênesis 39.9). Mas, quão bendito é o fato de que, se o crente, ao passar por tempos difíceis, cai no laço, Deus o remove de lá!
Ó crente enlaçado, sinta-se abatido, mas não entre em desespero. Embora tenha sido errante, ouça o que diz o seu Redentor: “Voltai, ó filhos rebeldes, eu curarei as vossas rebeliões” (Jeremias 3.22). Talvez você diga que não pode retornar, visto ter se tornado cativo. Então escute a promessa: “Certamente Ele o livrará do laço do passarinheiro”. Você ainda será tirado de todo o mal em que caiu. Arrependa-se de seu caminho. Aquele que o amou não o lançará fora. Ele o receberá e lhe dará alegria e felicidade. Então: “Que exultem os ossos que esmagaste” (Salmos 51.8). Nenhum pássaro do Paraíso morrerá no laço do passarinheiro.
Deus livra o seu povo do laço do passarinheiro em dois sentidos: do laço e para fora dele. Em primeiro lugar, Deus os livra do laço – não permitindo que seu povo entre nele. Em segundo lugar, se eles forem apanhados no laço, Deus os remove para fora dele. A primeira promessa é para alguns a mais preciosa, e para outros, a segunda é a melhor. “Ele te livrará do laço do passarinheiro”. De que maneira? Frequentemente, a aflição é o meio pelo qual Deus nos tira do laço. Deus sabe que nosso desvio culminará em nossa ruína e, em sua misericórdia, nos envia a correção. Nós dizemos: “Senhor, por que isso está acontecendo?” – sem saber que o problema que enfrentamos é o meio pelo qual somos libertos de um mal pior. Assim, muitos têm sido salvos da ruína graças a aflições e cruzes; estas têm afugentado os pássaros das redes.
Em outras ocasiões, Deus guarda o seu povo do laço do passarinheiro, dando-lhes vigor espiritual, de modo que, ao serem tentados, eles podem dizer: “Como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?” (Gênesis 39.9). Mas, quão bendito é o fato de que, se o crente, ao passar por tempos difíceis, cai no laço, Deus o remove de lá!
Ó crente enlaçado, sinta-se abatido, mas não entre em desespero. Embora tenha sido errante, ouça o que diz o seu Redentor: “Voltai, ó filhos rebeldes, eu curarei as vossas rebeliões” (Jeremias 3.22). Talvez você diga que não pode retornar, visto ter se tornado cativo. Então escute a promessa: “Certamente Ele o livrará do laço do passarinheiro”. Você ainda será tirado de todo o mal em que caiu. Arrependa-se de seu caminho. Aquele que o amou não o lançará fora. Ele o receberá e lhe dará alegria e felicidade. Então: “Que exultem os ossos que esmagaste” (Salmos 51.8). Nenhum pássaro do Paraíso morrerá no laço do passarinheiro.
SAUL E A MÉDIUM DE EN-DOR
Por Augustus Nicodemus Lopes
A Bíblia relata um episódio peculiar que gera muitas dúvidas entre os cristãos. O rei Saul está prestes a travar uma batalha contra os filisteus, e seu coração está pesado, com medo do enfrentamento. Ele tenta consultar Deus, mas só encontra o silêncio. Angustiado, Saul decide, então, consultar uma necromante que vivia na localidade de En-Dor. Ele se disfarça, vai à noite até ela e lhe pede que invoque o espírito do profeta Samuel dentre os mortos, a fim de tentar saber do futuro por meio dele. O que se segue é enigmático.
Então, lhe disse a mulher: Quem te farei subir? Respondeu ele [Saul]: Faze-me subir Samuel. Vendo a mulher a Samuel, gritou em alta voz; e a mulher disse a Saul: Por que me enganaste? Pois tu mesmo és Saul. Respondeu-lhe o rei: Não temas; que vês? Então, a mulher respondeu a Saul: Vejo um deus que sobe da terra. Perguntou ele: Como é a sua figura? Respondeu ela: Vem subindo um ancião e está envolto numa capa. Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosco em terra e se prostrou. Samuel disse a Saul: Por que me inquietaste, fazendo-me subir? Então, disse Saul: Mui angustiado estou, porque os filisteus guerreiam contra mim, e Deus se desviou de mim e já não me responde, nem pelo ministério dos profetas, nem por sonhos; por isso, te chamei para que me reveles o que devo fazer. Então, disse Samuel: Por que, pois, a mim me perguntas, visto que o SENHOR te desamparou e se fez teu inimigo? Porque o SENHOR fez para contigo como, por meu intermédio, ele te dissera; tirou o reino da tua mão e o deu ao teu companheiro Davi. Como tu não deste ouvidos à voz do SENHOR e não executaste o que ele, no furor da sua ira, ordenou contra Amaleque, por isso, o SENHOR te fez, hoje, isto. O SENHOR entregará também a Israel contigo nas mãos dos filisteus, e, amanhã, tu e teus filhos esta reis comigo; e o acampamento de Israel o SENHOR entregará nas mãos dos filisteus. De súbito, caiu Saul estendido por terra e foi tomado de grande medo por causa das palavras de Samuel; e faltavam-lhe as forças, porque não comera pão todo aquele dia e toda aquela noite.
1 Samuel 28.11-20
Para compreendermos o que ocorreu nesse episódio, precisamos começar lembrando o contexto em que ocorreu. Saul estava em guerra contra os filisteus e encontrava-se muito aflito porque estava perdendo. A essa altura, o rei de Israel havia desobedecido a Deus várias vezes e provocado a ira do Senhor, o que levou Deus a manter-se em silêncio quando procurado por Saul, que só o estava buscando por interesse pessoal. Saul decidiu, então, fazer algo que era proibido pela Lei de Moisés: consultar os mortos por meio da necromancia (Lv 19.31; Dt 18.10-12). Ele queria falar com o profeta Samuel, já falecido. É quando ocorre o episódio descrito nessa passagem.
Na sequência do relato bíblico, acontece exatamente como fora descrito por Samuel. Depois de dois ou três dias, Saul é cercado pelos filisteus, após seus filhos já terem morrido (1 Sm 31.2). O rei, então, se vê pressionado e pede a um escudeiro para matá-lo com uma espada. O escudeiro se recusa e o próprio Saul se lança sobre a arma, suicidando-se (1 Sm 31.4-6).
A grande questão é: quem de fato apareceu quando Samuel foi invocado, considerando que Deus proibiu tal prática? Três respostas costumam ser dadas a essa pergunta.
A primeira resposta assevera que foi Satanás quem apareceu. Ele teria aproveitado aquele momento para se manifestar como se fosse Samuel. Embora o diabo não pudesse prever o futuro, ele pôde vislumbrar o desfecho da guerra, em vista da situação. Essa é a posição da maioria dos cristãos, que creem nessa teoria por três motivos. Primeiro, eles não acreditam que Deus teria atendido Saul por meio de um método que o próprio Senhor condena. Segundo, se de fato fosse Samuel, isso contrariaria a afirmação bíblica de que mortos não podem voltar a se comunicar com os vivos. Terceiro, porque há um forte vínculo de Satanás com as práticas ocultistas.
O problema com essa interpretação é que o texto bíblico não menciona Satanás. Em nenhum momento se refere a ele como participante da cena. Em outras ocasiões, quando Satanás está agindo, a Bíblia deixa isso claro. É o caso da serpente do Éden ou de quando Pedro quis impedir Jesus de ir para a cruz, ao que o Senhor lhe disse: ”Arreda, Satanás!” (Mt 16.22-23). Portanto, caso se tratasse de Satanás, nada impediria o autor bíblico de expor essa realidade. Nos próprios livros históricos, há narrativas em que o texto refere-se diretamente ao diabo, como em “E Satanás incitou a Davi a contar todo Israel” (1 Cr 21.1) e no livro de Jó, que começa dizendo que Satanás apareceu e desafiou Deus a destruir o patriarca (Jó 1.11). A pergunta então permanece: se de fato era Satanás, por que o autor do texto não deixou isso claro?
A segunda interpretação é que a mulher seria uma charlatã. Ela, na verdade, não teria visto nada. E, como acontece muito nessas situações de invocações espíritas, a médium, percebendo que estava diante do rei Saul, começou a imitar a Samuel. Assim, ela teria feito toda uma pantomima para simular a presença do profeta morto. Essa linha interpretativa também oferece um problema: o relato bíblico não nos dá o menor sinal disso. A mulher parece ter sido genuinamente apanhada de surpresa, e a descrição do que aconteceria dias depois é precisa. A terceira interpretação diz que se tratava de Samuel mesmo. Em termos exegéticos, essa é a posição que mais se aproxima do relato bíblico. Veja estes versículos: “Vendo a mulher a Samuel, gritou em alta voz” (v. 12), “Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra e se prostrou” (v. 14), “Samuel disse a Saul” (v. 15), “Então, disse Samuel: Por que, pois, a mim me perguntas, visto que o SENHOR te desamparou e se fez teu inimigo?” (v. 16). O escritor do livro de Samuel acreditava que quem aparecera naquela ocasião era mesmo o profeta Samuel. E essa é a minha posição.
Por que acredito que Deus fez isso? Para que o castigo de Saul fosse aumentado e ele fosse ainda mais reprovável diante de Deus. O fato de que Deus assim procedeu não quer dizer que é possível fazer isso hoje. Precisamos lembrar que o mesmo Deus que fez as normas pode suspendê-las, em caráter excepcional. A aparição de Moisés e Elias ao lado de Jesus, por ocasião da transfiguração, também exemplifica esse ponto. Moisés havia morrido e Elias fora levado ao céu. Eles entraram na glória celeste, estavam na presença de Deus. Contudo, o Senhor permitiu que eles, séculos depois, voltassem momentaneamente e aparecessem ao lado de Jesus, na presença dos discípulos: “Eis que dois varões falavam com ele: Moisés e Elias, os quais apareceram em glória e falavam da sua partida que ele estava para cumprir em Jerusalém. Pedro e seus companheiros achavam-se premidos de sono; mas, conservando-se acordados, viram a sua glória e os dois varões que com ele estavam” (Lc 9.30-32). Foi uma ocasião única. Moisés e Elias representam a Lei e os Profetas. Era preciso que os discípulos vissem que Jesus era o Messias, o Filho de Deus anunciado na Lei e nos Profetas. Não temos mais nenhum registro bíblico de que Deus tenha permitido isso outra vez. Na verdade, somos ensinados que os mortos não voltam a este mundo.
Tentar consultar os mortos continua sendo proibido, assim como continua sendo impossível que os mortos falem com os vivos, como Jesus mesmo afirmou na história do rico e de Lázaro. Quando o rico, que estava no inferno, quis voltar para o mundo dos vivos, foi-lhe dito que os de lá não podiam mais passar para cá (Lc 16.26).
O ocorrido com Saul nessa passagem foi, portanto, uma exceção. Pois Deus mesmo faz as regras e as suspende de acordo com sua soberana vontade e com seus propósitos.
A Bíblia relata um episódio peculiar que gera muitas dúvidas entre os cristãos. O rei Saul está prestes a travar uma batalha contra os filisteus, e seu coração está pesado, com medo do enfrentamento. Ele tenta consultar Deus, mas só encontra o silêncio. Angustiado, Saul decide, então, consultar uma necromante que vivia na localidade de En-Dor. Ele se disfarça, vai à noite até ela e lhe pede que invoque o espírito do profeta Samuel dentre os mortos, a fim de tentar saber do futuro por meio dele. O que se segue é enigmático.
Então, lhe disse a mulher: Quem te farei subir? Respondeu ele [Saul]: Faze-me subir Samuel. Vendo a mulher a Samuel, gritou em alta voz; e a mulher disse a Saul: Por que me enganaste? Pois tu mesmo és Saul. Respondeu-lhe o rei: Não temas; que vês? Então, a mulher respondeu a Saul: Vejo um deus que sobe da terra. Perguntou ele: Como é a sua figura? Respondeu ela: Vem subindo um ancião e está envolto numa capa. Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosco em terra e se prostrou. Samuel disse a Saul: Por que me inquietaste, fazendo-me subir? Então, disse Saul: Mui angustiado estou, porque os filisteus guerreiam contra mim, e Deus se desviou de mim e já não me responde, nem pelo ministério dos profetas, nem por sonhos; por isso, te chamei para que me reveles o que devo fazer. Então, disse Samuel: Por que, pois, a mim me perguntas, visto que o SENHOR te desamparou e se fez teu inimigo? Porque o SENHOR fez para contigo como, por meu intermédio, ele te dissera; tirou o reino da tua mão e o deu ao teu companheiro Davi. Como tu não deste ouvidos à voz do SENHOR e não executaste o que ele, no furor da sua ira, ordenou contra Amaleque, por isso, o SENHOR te fez, hoje, isto. O SENHOR entregará também a Israel contigo nas mãos dos filisteus, e, amanhã, tu e teus filhos esta reis comigo; e o acampamento de Israel o SENHOR entregará nas mãos dos filisteus. De súbito, caiu Saul estendido por terra e foi tomado de grande medo por causa das palavras de Samuel; e faltavam-lhe as forças, porque não comera pão todo aquele dia e toda aquela noite.
1 Samuel 28.11-20
Para compreendermos o que ocorreu nesse episódio, precisamos começar lembrando o contexto em que ocorreu. Saul estava em guerra contra os filisteus e encontrava-se muito aflito porque estava perdendo. A essa altura, o rei de Israel havia desobedecido a Deus várias vezes e provocado a ira do Senhor, o que levou Deus a manter-se em silêncio quando procurado por Saul, que só o estava buscando por interesse pessoal. Saul decidiu, então, fazer algo que era proibido pela Lei de Moisés: consultar os mortos por meio da necromancia (Lv 19.31; Dt 18.10-12). Ele queria falar com o profeta Samuel, já falecido. É quando ocorre o episódio descrito nessa passagem.
Na sequência do relato bíblico, acontece exatamente como fora descrito por Samuel. Depois de dois ou três dias, Saul é cercado pelos filisteus, após seus filhos já terem morrido (1 Sm 31.2). O rei, então, se vê pressionado e pede a um escudeiro para matá-lo com uma espada. O escudeiro se recusa e o próprio Saul se lança sobre a arma, suicidando-se (1 Sm 31.4-6).
A grande questão é: quem de fato apareceu quando Samuel foi invocado, considerando que Deus proibiu tal prática? Três respostas costumam ser dadas a essa pergunta.
A primeira resposta assevera que foi Satanás quem apareceu. Ele teria aproveitado aquele momento para se manifestar como se fosse Samuel. Embora o diabo não pudesse prever o futuro, ele pôde vislumbrar o desfecho da guerra, em vista da situação. Essa é a posição da maioria dos cristãos, que creem nessa teoria por três motivos. Primeiro, eles não acreditam que Deus teria atendido Saul por meio de um método que o próprio Senhor condena. Segundo, se de fato fosse Samuel, isso contrariaria a afirmação bíblica de que mortos não podem voltar a se comunicar com os vivos. Terceiro, porque há um forte vínculo de Satanás com as práticas ocultistas.
O problema com essa interpretação é que o texto bíblico não menciona Satanás. Em nenhum momento se refere a ele como participante da cena. Em outras ocasiões, quando Satanás está agindo, a Bíblia deixa isso claro. É o caso da serpente do Éden ou de quando Pedro quis impedir Jesus de ir para a cruz, ao que o Senhor lhe disse: ”Arreda, Satanás!” (Mt 16.22-23). Portanto, caso se tratasse de Satanás, nada impediria o autor bíblico de expor essa realidade. Nos próprios livros históricos, há narrativas em que o texto refere-se diretamente ao diabo, como em “E Satanás incitou a Davi a contar todo Israel” (1 Cr 21.1) e no livro de Jó, que começa dizendo que Satanás apareceu e desafiou Deus a destruir o patriarca (Jó 1.11). A pergunta então permanece: se de fato era Satanás, por que o autor do texto não deixou isso claro?
A segunda interpretação é que a mulher seria uma charlatã. Ela, na verdade, não teria visto nada. E, como acontece muito nessas situações de invocações espíritas, a médium, percebendo que estava diante do rei Saul, começou a imitar a Samuel. Assim, ela teria feito toda uma pantomima para simular a presença do profeta morto. Essa linha interpretativa também oferece um problema: o relato bíblico não nos dá o menor sinal disso. A mulher parece ter sido genuinamente apanhada de surpresa, e a descrição do que aconteceria dias depois é precisa. A terceira interpretação diz que se tratava de Samuel mesmo. Em termos exegéticos, essa é a posição que mais se aproxima do relato bíblico. Veja estes versículos: “Vendo a mulher a Samuel, gritou em alta voz” (v. 12), “Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra e se prostrou” (v. 14), “Samuel disse a Saul” (v. 15), “Então, disse Samuel: Por que, pois, a mim me perguntas, visto que o SENHOR te desamparou e se fez teu inimigo?” (v. 16). O escritor do livro de Samuel acreditava que quem aparecera naquela ocasião era mesmo o profeta Samuel. E essa é a minha posição.
Por que acredito que Deus fez isso? Para que o castigo de Saul fosse aumentado e ele fosse ainda mais reprovável diante de Deus. O fato de que Deus assim procedeu não quer dizer que é possível fazer isso hoje. Precisamos lembrar que o mesmo Deus que fez as normas pode suspendê-las, em caráter excepcional. A aparição de Moisés e Elias ao lado de Jesus, por ocasião da transfiguração, também exemplifica esse ponto. Moisés havia morrido e Elias fora levado ao céu. Eles entraram na glória celeste, estavam na presença de Deus. Contudo, o Senhor permitiu que eles, séculos depois, voltassem momentaneamente e aparecessem ao lado de Jesus, na presença dos discípulos: “Eis que dois varões falavam com ele: Moisés e Elias, os quais apareceram em glória e falavam da sua partida que ele estava para cumprir em Jerusalém. Pedro e seus companheiros achavam-se premidos de sono; mas, conservando-se acordados, viram a sua glória e os dois varões que com ele estavam” (Lc 9.30-32). Foi uma ocasião única. Moisés e Elias representam a Lei e os Profetas. Era preciso que os discípulos vissem que Jesus era o Messias, o Filho de Deus anunciado na Lei e nos Profetas. Não temos mais nenhum registro bíblico de que Deus tenha permitido isso outra vez. Na verdade, somos ensinados que os mortos não voltam a este mundo.
Tentar consultar os mortos continua sendo proibido, assim como continua sendo impossível que os mortos falem com os vivos, como Jesus mesmo afirmou na história do rico e de Lázaro. Quando o rico, que estava no inferno, quis voltar para o mundo dos vivos, foi-lhe dito que os de lá não podiam mais passar para cá (Lc 16.26).
O ocorrido com Saul nessa passagem foi, portanto, uma exceção. Pois Deus mesmo faz as regras e as suspende de acordo com sua soberana vontade e com seus propósitos.
O PROFETA ELISEU
Leia antes: Lucas 4:27-30; 2 Reis 5
Tente imaginar a cena: a carruagem do poderoso comandante do exército do rei da Síria, com seus servos e uma escolta de soldados parados em frente à casa do profeta Eliseu. Agora pense na frustração de Naamã ao perceber que não é Eliseu quem sai da casa, mas apenas um mensageiro com a receita para sua doença!
O garoto de recados transmite a mensagem do profeta: “Vá e lave-se sete vezes no rio Jordão; sua pele será restaurada e você ficará purificado” (2 Rs 5:10). Naamã fica indignado. Ele estava certo de que o próprio profeta viria ao seu encontro e invocaria o nome de Deus, imporia a mão sobre o lugar de suas feridas e o curaria da lepra. Além disso, que benefício havia em banhar-se no Jordão quando em Damasco havia os rios Abana e Farfar, bem maiores e importantes!
Hoje muitos cristãos são como Naamã. Acreditam que Deus só pode agir se existir algum tipo de pirotecnia, como música alta, pregadores berrando ao microfone e rios de dinheiro fluindo. Não se contentam com a Palavra de Deus e ficam impressionados quando um pregador se diz capaz de fazer descer fogo dos céus, de tão poderoso que se considera.
Pregadores que se gabam de tal proeza não percebem que esta será uma das habilidades do anticristo, o qual realizará “grandes sinais, chegando a fazer descer fogo do céu à terra, à vista dos homens”(Ap 13:13). E se esquecem de que o Senhor Jesus repreendeu seus discípulos pela mesma exibição de prepotência, ao lhes dizer: “Vocês não sabem de que espécie de espírito são pois, o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los”(Lc 9:55).
Mas esses mesmos pregadores sabem que seus seguidores não se contentam com a simplicidade do evangelho; ficam frustrados se não virem dramatização, testemunhos forjados e demonstração de poder medida em decibéis. Então eles procuram apresentar aquilo que seus seguidores querem enxergar neles: um bufão arrogante, prepotente e mestre em exibicionismo.
Naamã queria encontrar alguém assim, daí sua frustração. Mas seus servos são mais sábios que ele e lhe dizem: “Se o profeta lhe tivesse pedido alguma coisa difícil, o senhor não faria? Quanto mais, quando ele apenas lhe diz para que se lave e seja purificado!”(2 Rs 5:13). Naamã se rende ao conselho dos servos, mergulha sete vezes no Jordão e sai curado de sua lepra.
Sua reação é de gratidão: ele quer dar ao profeta Eliseu um presente, mas este lhe dá a resposta que deveria estar na ponta da língua de qualquer verdadeiro servo de Deus: “Juro pelo nome do Senhor, a quem sirvo, que nada aceitarei”. Aí está uma boa forma de você identificar se aquele pregador da TV é ou não um homem de Deus. Se ele pedir ou aceitar dinheiro em troca da cura, bênção ou salvação, então não é.
Por Mario Persona
Tente imaginar a cena: a carruagem do poderoso comandante do exército do rei da Síria, com seus servos e uma escolta de soldados parados em frente à casa do profeta Eliseu. Agora pense na frustração de Naamã ao perceber que não é Eliseu quem sai da casa, mas apenas um mensageiro com a receita para sua doença!
O garoto de recados transmite a mensagem do profeta: “Vá e lave-se sete vezes no rio Jordão; sua pele será restaurada e você ficará purificado” (2 Rs 5:10). Naamã fica indignado. Ele estava certo de que o próprio profeta viria ao seu encontro e invocaria o nome de Deus, imporia a mão sobre o lugar de suas feridas e o curaria da lepra. Além disso, que benefício havia em banhar-se no Jordão quando em Damasco havia os rios Abana e Farfar, bem maiores e importantes!
Hoje muitos cristãos são como Naamã. Acreditam que Deus só pode agir se existir algum tipo de pirotecnia, como música alta, pregadores berrando ao microfone e rios de dinheiro fluindo. Não se contentam com a Palavra de Deus e ficam impressionados quando um pregador se diz capaz de fazer descer fogo dos céus, de tão poderoso que se considera.
Pregadores que se gabam de tal proeza não percebem que esta será uma das habilidades do anticristo, o qual realizará “grandes sinais, chegando a fazer descer fogo do céu à terra, à vista dos homens”(Ap 13:13). E se esquecem de que o Senhor Jesus repreendeu seus discípulos pela mesma exibição de prepotência, ao lhes dizer: “Vocês não sabem de que espécie de espírito são pois, o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los”(Lc 9:55).
Mas esses mesmos pregadores sabem que seus seguidores não se contentam com a simplicidade do evangelho; ficam frustrados se não virem dramatização, testemunhos forjados e demonstração de poder medida em decibéis. Então eles procuram apresentar aquilo que seus seguidores querem enxergar neles: um bufão arrogante, prepotente e mestre em exibicionismo.
Naamã queria encontrar alguém assim, daí sua frustração. Mas seus servos são mais sábios que ele e lhe dizem: “Se o profeta lhe tivesse pedido alguma coisa difícil, o senhor não faria? Quanto mais, quando ele apenas lhe diz para que se lave e seja purificado!”(2 Rs 5:13). Naamã se rende ao conselho dos servos, mergulha sete vezes no Jordão e sai curado de sua lepra.
Sua reação é de gratidão: ele quer dar ao profeta Eliseu um presente, mas este lhe dá a resposta que deveria estar na ponta da língua de qualquer verdadeiro servo de Deus: “Juro pelo nome do Senhor, a quem sirvo, que nada aceitarei”. Aí está uma boa forma de você identificar se aquele pregador da TV é ou não um homem de Deus. Se ele pedir ou aceitar dinheiro em troca da cura, bênção ou salvação, então não é.
Por Mario Persona
FORÇA PARA O DIA - DEVOCIONAL JOHN MACARTHUR
DEUS É FIEL PARA CUIDAR DE NÓS
Fiel é Deus, pelo qual vocês foram chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor (1 Coríntios 1:9).
Deus é completamente fiel para fazer o que Ele prometeu.
Vivemos em um era de infidelidade, não é mesmo? Muitos maridos e esposas são infiéis a seus votos matrimoniais. As crianças são, muitas vezes, infiéis aos princípios ensinados pelos pais. Da mesma forma, os pais também são infiéis para atender às necessidades de seus filhos. E com demasiada frequência, somos infiéis a Deus.
Somente Deus é completamente fiel, um fato frequentemente celebrado nas Escrituras: “Portanto, saibam que o SENHOR, seu Deus, é Deus; ele é o Deus fiel…” (Deuteronômio 7:9). “A tua misericórdia, SENHOR, chega até os céus, a tua fidelidade vai até as nuvens” (Salmo 36:5). “Grande é a tua fidelidade” (Lamentações 3:23).
Vejamos, pois, algumas áreas nas quais Deus é fiel a nós. Primeiro, ele é fiel em cuidar de nós. Pedro diz: “Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus entreguem a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem” (1 Pedro 4:19). A palavra traduzida por “entregar” é um termo bancário que fala de um depósito para custódia. Devemos dar nossas vidas ao nosso “Criador fiel”, que é o único capaz de cuidar de nós da melhor forma, porque nos criou. “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, tudo aquilo de que vocês precisam” (Filipenses 4:19).
Deus também é fiel ao nos ajudar a resistir à tentação: “Não sobreveio a vocês nenhuma tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar; pelo contrário, juntamente com a tentação proverá livramento, para que vocês a possam suportar” (1 Coríntios 10:13). Nenhum crente pode legitimamente afirmar que ele estava dominado pela tentação, ou que o Diabo o coagiu a pecar. Quando a nossa fidelidade é testada, temos a fidelidade de Deus como nosso recurso. “Mas o Senhor é fiel. Ele os fortalecerá e os guardará do Maligno” (2 Tessalonicenses 3:3).
Sugestão para oração
Agradeça a Deus pela sua fidelidade em cuidar de você e protegê-lo da tentação.
Estudo adicional
Deus havia prometido a Abraão um filho, e finalmente lhe deu Isaque. Mas Deus fez um pedido estranho a ele. Leia Gênesis 22:1-18 e Hebreus 11:17-19. Como Abraão demonstrou sua confiança?
Em quais áreas você tem dificuldade em confiar em Deus?
Fiel é Deus, pelo qual vocês foram chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor (1 Coríntios 1:9).
Deus é completamente fiel para fazer o que Ele prometeu.
Vivemos em um era de infidelidade, não é mesmo? Muitos maridos e esposas são infiéis a seus votos matrimoniais. As crianças são, muitas vezes, infiéis aos princípios ensinados pelos pais. Da mesma forma, os pais também são infiéis para atender às necessidades de seus filhos. E com demasiada frequência, somos infiéis a Deus.
Somente Deus é completamente fiel, um fato frequentemente celebrado nas Escrituras: “Portanto, saibam que o SENHOR, seu Deus, é Deus; ele é o Deus fiel…” (Deuteronômio 7:9). “A tua misericórdia, SENHOR, chega até os céus, a tua fidelidade vai até as nuvens” (Salmo 36:5). “Grande é a tua fidelidade” (Lamentações 3:23).
Vejamos, pois, algumas áreas nas quais Deus é fiel a nós. Primeiro, ele é fiel em cuidar de nós. Pedro diz: “Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus entreguem a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem” (1 Pedro 4:19). A palavra traduzida por “entregar” é um termo bancário que fala de um depósito para custódia. Devemos dar nossas vidas ao nosso “Criador fiel”, que é o único capaz de cuidar de nós da melhor forma, porque nos criou. “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, tudo aquilo de que vocês precisam” (Filipenses 4:19).
Deus também é fiel ao nos ajudar a resistir à tentação: “Não sobreveio a vocês nenhuma tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar; pelo contrário, juntamente com a tentação proverá livramento, para que vocês a possam suportar” (1 Coríntios 10:13). Nenhum crente pode legitimamente afirmar que ele estava dominado pela tentação, ou que o Diabo o coagiu a pecar. Quando a nossa fidelidade é testada, temos a fidelidade de Deus como nosso recurso. “Mas o Senhor é fiel. Ele os fortalecerá e os guardará do Maligno” (2 Tessalonicenses 3:3).
Sugestão para oração
Agradeça a Deus pela sua fidelidade em cuidar de você e protegê-lo da tentação.
Estudo adicional
Deus havia prometido a Abraão um filho, e finalmente lhe deu Isaque. Mas Deus fez um pedido estranho a ele. Leia Gênesis 22:1-18 e Hebreus 11:17-19. Como Abraão demonstrou sua confiança?
Em quais áreas você tem dificuldade em confiar em Deus?
Devocional Alegria Inabalável - John Piper
VÁ DIRETAMENTE A DEUS
Versículo do dia: Naquele dia, pedireis em meu nome; e não vos digo que rogarei ao Pai por vós. Porque o próprio Pai vos ama, visto que me tendes amado e tendes crido que eu vim da parte de Deus. (João 16.26-27)
Não faça do Filho de Deus um Mediador além do que ele é.
Jesus diz: “Não vos digo que rogarei ao Pai por vós”. Em outras palavras, não me colocarei entre vós e o Pai, como se vós não pudésseis ir diretamente a ele. Por quê? “Porque o próprio Pai vos ama”.
Isso é surpreendente. Jesus está nos advertindo a não pensar no Deus Todo-Poderoso como indisposto a nos receber diretamente em sua presença. Por “diretamente” intenciono o que Jesus quis indicar quando disse: “Eu não levarei os seus pedidos a Deus por vocês. Vocês poderão levá-los diretamente. Ele os ama. Ele quer que vocês venham. Ele não está irado com vocês”.
É absolutamente verdade que nenhum ser humano pecaminoso tem acesso ao Pai senão através do sangue de Jesus (Hebreus 10.19-20). Ele intercede por nós agora (Romanos 8.34; Hebreus 7.25). Ele é nosso advogado diante do Pai agora (1 João 2.1). Ele é nosso Sumo Sacerdote diante do trono de Deus agora (Hebreus 4.15-16). Ele disse: “Ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6).
Sim. Mas, Jesus está nos protegendo de considerar a sua intercessão além do limite. “E não vos digo que rogarei ao Pai por vós. Porque o próprio Pai vos ama”. Ele está lá. Ele está dando um testemunho constante e eterno da remoção da ira do Pai sobre nós.
Porém, ele não está lá para falar por nós, nem para nos manter afastados do Pai, nem para sugerir que o coração do Pai tem reservas para conosco ou nos despreza; por isso as palavras: “Porque o próprio Pai vos ama”.
Então venha. Venha com ousadia (Hebreus 4.16). Venha com expectativa. Venha esperando um sorriso. Venha tremendo de alegria, não de terror.
Jesus está dizendo: “Eu fiz um caminho para Deus. Agora, não ficarei no caminho”. Venha.
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