“Bem-aventurados os retos nos seus caminhos, que andam na lei do Senhor” (Salmo 119.1)
O Salmista começa com uma descrição do caminho para a verdadeira bem-aventurança, como Cristo começou seu Sermão do Monte. Bem-aventurança é tudo o que almejamos, apenas somos ignorantes ou imprudentes quanto ao caminho que a ela conduz, por isso o salmista define primeiro o verdadeiro conceito de um homem abençoado: “Bem-aventurados os retos em seus caminhos, que andam na lei do Senhor. “
Nestas palavras você tem:
1. O privilégio, abençoado.
2. A maneira e a forma de ser considerado, não tanto na natureza e na sua formalidade, quanto ao caminho que a ele conduz. Ou,
Em primeiro lugar, aqui está se falando de uma forma geral.
Em segundo lugar, temos esta forma especificada – a lei do Senhor.
Em terceiro lugar, a qualificação da sinceridade das pessoas, a irrepreensibilidade, e constância, com que se caminha.
1. Todos desejam isto, os cristãos, pagãos, todos concordam nisto. Quando Paulo estava lidando com os pagãos, ele apresentou duas noções sobre Deus pelas quais pode ser reconhecido. Esta é a primeira causa: “contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria.” (Atos 14.17)
“para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós;” (Atos 17.27)
“Há muitos que dizem: Quem nos dará a conhecer o bem?” (Salmo 4.6).
Bom… bom, é o clamor do mundo. Isto está enraizado na própria natureza do desejo, pois tudo o que é desejado é desejado como bom. Ninguém, em são juízo, se disporia a buscar para si o estragado, o ruim.
Isto sucede porque Deus implantou em nós sentimentos de aversão para evitar o que é mau, de modo a termos sentimentos para buscar o que é bom. O que há é um sentimento de preservação, de amor próprio, e não de destruição ou de auto-desprezo ou ódio.
Por isso, todos os homens buscam felicidade e contentamento. Perguntar entretanto se os homens desejariam de um outro modo ser felizes ou não, equivale a perguntar se eles amam a si mesmos. Pode ser sim ou não. Mas se desejariam ser santos, isto é outra coisa.
2. Tudo que está sem a graça divina está muito errado em si mesmo. Alguns erram no final. Eles desejam comumente o que é bom, não o que seja de fato o verdadeiro bem, pois eles buscam a felicidade em riquezas, honras, prazeres, e assim eles flutuam nestas coisas que buscam, enquanto as procuram. Eles pretendem ser felizes, mas escolhem a miséria: Lucas 16.25 – “Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos.”; e Salmo 4.7: “Mais alegria me puseste no coração do que a alegria deles, quando lhes há fartura de cereal e de vinho.”
O trigo, o vinho e azeite, não somente possuídos por eles, mas por eles escolhidos como sua felicidade e porção. Eles falham quanto aos meios. Eles não se conhecem ou não se amam. Eles discernem isto, mas fracamente, como uma torre, à distância: é assim que o veem, como o cego que viu os homens como árvores que andavam. A luz da natureza, sendo tão fraca, eles consideram esta realidade, mas fracamente, a mente está sendo desviada para outros objetos, eles os desejam, mas fracamente, os afetos sendo sobrepassados e interceptados por coisas que vêm junto ao lado de veleidades e inclinações frívolas, mas não há vontade séria ou firmeza de coração.
Ou suponha um homem sob alguma convicção, tanto quanto ao que se refere à finalidade e aos meios, mas seus esforços são muito frios e frouxos; eles não a perseguem com aquela seriedade, exatidão e uniformidade do esforço que é necessário para obter a sua felicidade.
São como crianças que parecem desejar uma coisa com paixão, mas ficam logo de mau humor: “A alma do preguiçoso deseja, e nada tem, porque as suas mãos recusam trabalhar.”
Quando a verdadeira felicidade está suficientemente revelada, nós gostamos disto mas não nos termos de Deus, João 6.34 – “Então, lhe disseram: Senhor, dá-nos sempre desse pão.” Os judeus disseram isto quando nosso Salvador lhes falou sobre o pão de Deus que desceu do céu para dar a vida ao mundo. Mas ao ouvirem as condições de obtê-lo, “murmuravam, voltaram para trás e já não andavam com ele.” (v.66). Todos iriam viver para sempre, mas quando viram que eles deveriam seguir ao Cristo desprezado por todo o mundo, e incorrerem em censuras e perigos, eles não gostaram disso: ‘Sim, eles desprezaram a terra aprazível, e não acreditaram na sua palavra.” (Salmo 106.24). A terra era uma terra boa, mas o caminho para isso foi através de um imenso deserto. Quando ouviram falar da força e estatura dos homens e, suas fortificações, caíram em paixão e murmuração, e desistiram de conquistar Canaã. O céu é um lugar bom, mas como os homens têm que chegar a ele com muita dificuldade, então eles ficam relutantes em calcular o custo.
Os homens ficariam felizes com esse tipo de felicidade que é a verdadeira felicidade, mas não da maneira que Deus a tem proposto, porque estão predispostos para fantasias carnais. É considerado uma coisa insensata esperar em Deus em meio de tribulações, conflitos e tentações: 1 Coríntios 2.14 – “O homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura, e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” Mais prejudica mentir contra os meios do que contra o fim; portanto, sem desespero, eles se acomodam com uma escolha carnal, como pessoas desapontadas numa partida de tomar a próxima oferta. Uma vez que não podem ter a felicidade de Deus, eles resolvem ser seus próprios escultores, e tornam-se tão felizes quanto possível, no gozo das coisas presentes.
3. Nossos erros sobre isto nos custarão caro. Deus é muito zeloso quanto ao que nós fazemos ser a nossa felicidade, e, portanto, fica irado com a escolha carnal. Aqueles que vão fazer experimentos, sejam inteligentes pois nesta questão. Salomão chegou em casa chorando: Eclesiastes 1.14 – ‘Eu vi todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito.” Ele tinha provado isto com as próprias mãos.
Ele tinha um grande coração e uma grande condição, e se entregou aos prazeres, para extrair a felicidade das criaturas, para buscar satisfações mundanas de uma maneira mais artificial do que beberrões brutais, que apenas agem de acordo com luxúria e apetite: Ec 2.1 – “Disse comigo: vamos! Eu te provarei com a alegria; goza, pois, a felicidade; mas também isso era vaidade.” Ele se entregou aos prazeres, e não apenas aos sensuais, mas também em busca de curiosidades e coisas artificiais, e ainda assim encontrou seu coração secretamente afastado de Deus.
Vamos estudar bem este ponto.
1. Que não podemos nos elevar com uma falsa felicidade, ou criar o nosso descanso em prazeres temporais, como honra elevada, abundância de riquezas, favor dos grandes homens, etc; coisas úteis em sua própria esfera, e benéficas para adoçar e confortar a vida do homem, que colocou sua felicidade em Deus. Prazeres que estão sendo apreciados, não satisfazem; sendo amados, eles contaminam; sendo perdidos, aumentam a nossa tribulação e tristeza.
[1] Eles não podem satisfazer, por causa de sua imperfeição e incerteza. Eles não respondem a todos os desejos do homem, e não possuem qualquer relação com a consciência. O que faz um homem feliz deve ter uma proporção completa para atender todas as necessidades, desejos e capacitações da alma, assim como a consciência e o coração e todos possam dizer que é o suficiente. Mas, infelizmente! estas coisas não podem nos dar uma paz sólida e contentamento: Isaías 4.2 – “Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? e do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer?”
Até que a consciência seja provida, não podemos ser felizes. Mas, além de sua baixa utilização, considere a incerteza do prazer. Nada pode nos dar paz sólida, senão aquilo que nos faça eternamente felizes. Nada além do favor de Deus é de eternidade a eternidade. Nós não temos uma posse eterna dessas coisas do mundo. Elas são incertas e são possuídas com temor. 1 Coríntios 7.30,31. Este é o conselho do apóstolo “mas também os que choram, como se não chorassem; e os que se alegram, como se não se alegrassem; e os que compram, como se nada possuíssem; e os que se utilizam do mundo, como se dele não usassem; porque a aparência deste mundo passa.”
Um homem deve esperar por mudanças, e passar por várias situações no mundo: Salmo 39.11 – “Quando castigas o homem com repreensões, por causa da iniquidade, destróis nele, como traça, o que tem de precioso. Com efeito, todo homem é pura vaidade.”
[2]. Sendo incomumente amadas, elas contaminam. Não existe apenas uma vesícula, mas veneno nelas. Elas não podem nos tornar melhores, mas podem facilmente nos tornar piores, escravizando-nos aos nossos próprios desejos: 1 Tim 6.9,10 – ‘Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na ruína e perdição. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males, que, enquanto alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.”
[3] Sendo perdidas, aumentam a nossa tribulação e tristeza. Um homem que não tem aprendido a ser humilhado, bem como a ter abundância, a sua abundância torna o seu caso o mais miserável. É difícil voltar um ou dois degraus. Elas são capazes de trazer muitos problemas no coração daquele que é versado sobre elas: “Tudo é vaidade e aflição de espírito.” Quanto mais nós fazemos delas a razão da nossa felicidade, quando perdidas aumentam a nossa tribulação.
2. Em segundo lugar, na abordagem detalhada do assunto, não podemos ser preconceituosos contra a verdadeira felicidade. Os homens pensam que é uma felicidade viver sem o jugo da religião de Cristo, para poderem falar, pensar, e fazer o que quiserem, sem restrição. Salmo 2.3 – “Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas.”
Ao estudar este ponto – “Não te estribes no teu próprio entendimento”. “Não te fatigues para seres rico; não apliques nisso a tua inteligência.” (Prov 23.4), mas busque a direção de Deus através da Sua Palavra e do Espírito Santo. Somente Deus pode determinar quem é o homem bem-aventurado, porque está somente em suas mãos nos fazer bem-aventurados. Trazidos à luz da fé; o senso e a razão carnal lhe decepcionarão. A bem-aventurança é um enigma que só pode ser descoberto pela fé , “que é a prova das coisas que se não veem” (Hebreus 11.1).
Que um homem piedoso pobre, que é reputado como sendo a sujeira e a escória de todas as coisas, seja o único homem feliz, e que os grandes homens deste mundo, que têm todas as coisas à sua vontade, seja “pobres, cegos, miseráveis, e nus”, é um paradoxo que nunca entrará no coração de um homem natural, que tem apenas a luz do bom senso e da razão carnal para julgar as coisas, porque a visão e a razão não são nada para tal propósito.
Espere a luz e a força do Espírito Santo para inclinar o teu coração a Deus. Muitas vezes estamos doutrinariamente corretos quanto ao que seja a bem-aventurança, mas não na prática; nos contentamos com a mera noção, mas não a colocamos sob o poder dessas verdades, que é a obra do Espírito.
É fácil provar que isto é a felicidade dos animais que desfrutam de prazer sem remorso; é fácil provar a incerteza das riquezas, e que são fundamentos instáveis para a alma para descansar; mas retirar do coração essas coisas é a obra de Deus, a obra do Espírito Santo: Salmo 49.13 – “Tal proceder é estultícia deles; assim mesmo os seus seguidores aplaudem o que eles dizem.” Muitos homens que estão sobre o túmulo de seus antepassados vão dizer: Ah! quão tolos foram em desperdiçar o seu tempo e força em prazeres, e na caça de grandeza e estima mundana e favor com os homens, que proveito há nisso agora? E contudo a sua posteridade aprova o mesmo, isto é, vivem pelos mesmos princípios, são tão gananciosos sobre satisfações mundanas como aqueles sempre foram antes de partirem, que negligenciaram a Deus e as coisas celestiais, e desceram à sepultura, e sua honra foi colocada no pó.
Até que o Senhor tire o nosso coração com a luz e o poder da sua graça, permanecemos como ébrios, insensatos e mundanos como eles. Assim, você vê em que se baseia a noção correta da verdadeira bem-aventurança.
A sincera, constante e uniforme obediência à lei de Deus é o único caminho para a verdadeira bem-aventurança.
Isto é chamado de um caminho, e deste caminho é dito ser a lei de Deus, e este caminhar deve ser sem mácula, o que não implica absoluta pureza e perfeição legal, mas a sinceridade do evangelho; e neste caminho devemos andar, com uniformidade e constância; isto deve ser o nosso curso, e nele devemos perseverar.
Três coisas que precisam ser abertas:
1. Falar sobre a regra.
2. A conformidade com a regra; que deve ser sincera, uniforme e constante.
3. Como este é o caminho para a verdadeira felicidade; quanto ao que respeita ter a verdadeira bem-aventurança.
Em primeiro lugar, a regra é a lei de Deus. Todos os seres criados têm uma regra. A natureza humana de Cristo foi a mais elevada de todas as criaturas, e ainda assim está em sujeição a Deus; ele está sob uma regra: Gál 4.4 – “nascido de mulher, nascido sob a lei”.
Os anjos têm muitas imunidades em relação ao homem; eles são livres da morte, das necessidades de comida e bebida, mas eles não estão livres da lei, não são sui juris, do seu próprio direito; eles obedecem aos seus mandamentos, ouvindo a voz da sua palavra – Salmo 103.20. Seres Inanimados, o sol, a lua, as estrelas, estão sob a lei da providência, sob um pacto de noite e de dia. Eles têm os seus cursos e movimentos designados. Todas as criaturas estão sob uma lei, segundo a qual elas se movem e agem. Muito mais agora está o homem sob a lei, porque ele tem vontade e escolha. Mas se a lei não fosse uma regra para um cristão (como alguns Antinomianos têm essa opinião), se ela não estivesse em vigor, então não haveria nenhum pecado ou dever, pois “onde não há lei, não há transgressão”; porque a natureza do “pecado é a transgressão da lei” – 1 João 3.4 ; Rom 4.15. Certamente a lei como uma regra é um grande privilégio, e, certamente, Cristo não veio para diminuir ou abolir os privilégios de seu povo: Dt 4.4 “Não há nenhuma nação com tais estatutos” – Sl 147.20: “Ele deu a conhecer os seus estatutos a Israel”, foi sua prerrogativa.
Se a lei pode ser anulada pelos que são tornados novas criaturas em Cristo Jesus, então por que o Espírito de Deus a escreve com caracteres tão legíveis em seus corações? Isto é prometido como a grande bênção do pacto da graça – Hebreus 7.10. Agora, aquilo que o Espírito grava no coração, Cristo veio para desfigurar e abolir? A lei foi escrita em tábuas de pedra, e a grande obra do Espírito é escrevê-la sobre a tábua do coração, e a arca era um baú onde a lei foi mantida e, com alusão ao que Deus diz, “eu porei a minha lei no seu coração.” Claramente, então, há uma regra, e esta regra é a lei de Deus. Agora, essa regra deve ser consultada em todas as ocasiões, se quisermos obter a verdadeira bem-aventurança, tanto para nos informar (instruir), quanto para gerar temor a Deus em nós.
Em primeiro lugar, para nos informar, para que não ajamos aquém ou além.
1. Não aquém. Existem muitas regras falsas com que os homens agradam a si mesmos, e são muitos os caminhos que nos levam para longe da nossa própria felicidade. Por exemplo, boas intenções, isto é uma regra falsa, o mundo vive de palpites e objetivos devotos. Mas se boa intenção fosse uma regra, um homem poderia se opor ao interesse de Cristo, destruir seus servos, e fazer tudo isso com boa intenção: João 16.2 – “Aqueles que matarem vocês acharão que estão fazendo um bom serviço a Deus.” Os homens podem errar grosseiramente ao seguirem uma consciência cega.
Costume, é outro exemplo. Não importa o que os outros fizeram antes de nós, mas o que Cristo fez diante de todos. Se o costume fosse relevado, a maioria das instituições de Cristo estariam fora das portas.
Exemplo dos outros; também não é boa regra. Não é para nós irmos onde outros foram antes, mas no que é o verdadeiro caminho: Mat 7.14 – “O caminho largo, que conduz à perdição, e muitos andam nele.” O caminho para o inferno é mais percorrido; não estamos sempre seguindo a corrente, pois eles são peixes mortos que nadam para baixo seguindo a correnteza: não estamos sendo conduzidos por costumes e exemplo, e fazendo o que os outros fazem. Nossos próprios desejos e inclinações não são a nossa regra. Oh, quão miseráveis seríamos se o nosso desejo fosse nossa lei, se a inclinação de nossos corações fosse nossa regra! Judas 16 – “andando segundo as suas próprias concupiscências,” é a descrição daqueles que eram monstros, que haviam superado todos os sentimentos de consciência.
As leis dos homens não são a nossa regra. Isto é muito estreito e curto para nos recomendar a Deus – ser apenas observadores das leis dos homens e nada mais: Salmo 19.7 – “A lei de Deus é perfeita, e refrigera a alma.” Para nos convencer do pecado, para humilhar o coração e nos trazer de volta a Deus, não existe uma regra para isso, mas a lei de Deus. Os homens fazem as leis, como alfaiates fazem roupas, para atender os corpos curvados que as vestirão, de acordo com os temperamentos das pessoas a serem regidas por essas leis, certamente elas não são uma regra suficiente para nos convencer do pecado e para nos guiar para a verdadeira felicidade. Um homem ordeiro civilmente é uma coisa, e um homem renovado e piedoso é outra. É prerrogativa de Deus dar uma lei para a consciência e para renovar as inclinações do coração. As leis humanas são boas para estabelecer uma conversa com o homem, mas breve demais para estabelecer a comunhão com Deus e, portanto, devemos consultar a regra, que é a lei do Senhor, para que não fiquemos alijados da verdadeira bem-aventurança.
2. Vejamos agora, para que não ajamos além. Há uma santidade supersticiosa e apócrifa que é contrária a uma verdadeira e bíblica santidade, sim, destrutiva por causa disso: isto é como a concubina em relação à esposa: isto afasta o respeita devido à verdadeira religião. Agora, o que é este tipo da santidade? É uma religião temporária de satisfação da carne, que consiste em um acordo com os ritos e cerimônias exteriores e mortificações externas, como é praticado pelos formalistas “segundo os preceitos e doutrinas dos homens:” Col 2.23 – “coisas, com efeito, que têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade.”
Deus não lhes agradecerá por lhe darem mais do que ele tem requerido. Estas coisas têm uma aparência de sabedoria. Como o dinheiro de bronze pode ser mais reluzente do que verdadeira moeda, embora não seja de tal valor, então esta adoração baseada na própria vontade, e santidade supersticiosa podem parecer justas, mas são destrutivas para a verdadeira piedade e santidade bíblica, que nos guiam à comunhão com Deus. Quando o zelo dos homens ferve mais numa santidade fingida, isto apaga o fogo e destrói a verdadeira fé e piedade.
O excesso é enorme, bem como o defeito. Portanto, ainda temos que consultar a lei e a regra, para que não ajamos aquém ou além.
Em segundo lugar, como a lei deve ser consultada, para que nos informe, assim ela pode gerar temor em nós e nos manter sob um senso de nosso dever para com Deus: “Pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.” – Rom 3.19. Geralmente, a maioria dos cristãos vive de forma mecânica, e não estuda a sua regra. Será que um homem adoraria a Deus com tanta frieza e habitualmente, se ele tivesse observado a regra que exige diligência de alma, fervor de espírito, diligente obediência a Deus em seus juízos? Será que um homem permitir-se-ia a liberdade de discursos vãos, conversação ociosa, e usar a língua para brincadeiras, se ele se consultasse com a regra, e lembrasse que estas palavras serão pesadas na balança de Deus? Estes são condenados pela lei da liberdade: Tiago 2.12 – “Então, falai, e assim procedei, como aqueles que devem ser julgados pela lei da liberdade.” Seria um homem tão superficial nas coisas celestiais? tão desordenado e imoderado no uso do prazer e da busca do lucro mundano, se ele tivesse considerado a regra, e qual é a santa moderação que Deus tem exigido de nós em todas as ocasiões? Esta é a primeira coisa, a saber, a regra, que é a lei de Deus.
Em segundo lugar, há uma conformidade a esta regra. Se você quiser ser bem-aventurado, deve haver uma sincera, constante, e uniforme obediência. A vontade de Deus não somente deve ser conhecida, mas praticada. Muitos vão concluir que a lei de Deus na teoria é a única direção para a verdadeira felicidade; mas agora, ter isto como a sua regra, para manter-se perto da mesma, nem mesmo um entre mil o tem feito.
1. Então, a obediência sincera é necessária: “Bem-aventurado é o irrepreensível no caminho.”
À primeira audição destas palavras, um homem pode responder, Oh, então, ninguém pode ser abençoado, se isto é a qualificação, “porque quem pode dizer, meu coração está limpo?” Prov 20.9. Eu respondo – esta pureza, esta irrepreensibilidade deve ser entendida de acordo com o teor da segunda aliança feita no sangue de Jesus, que não exclui a misericórdia de Deus e a justificação dos pecadores arrependidos: Sl 133.3,4 – “Se tu, Senhor, observares as iniquidades, quem subsistirá? Mas há misericórdia contigo.” Não há como escapar da condenação ou da maldição, se Deus nos tratar de acordo com a estrita justiça, e exigir uma irrepreensibilidade absoluta. Bem, então, esta qualificação deve ser entendida, como eu disse, no sentido do segundo pacto, e o que é isso? Sinceridade de santificação. Quando um homem cuidadosamente se esforça para manter suas vestes livres da corrupção do mundo, e para ser aprovado por Deus; quando este é o seu o exercício constante para evitar qualquer ofensa, tanto para com Deus quanto para com os homens – Atos 24.16, e é cauteloso e vigilante para que não se contamine; quando ele é mais humilhado por suas corrupções; quando está sempre purgando o seu coração, e se esforçando, e que, com sucesso, anda no caminho de Deus, aqui está o irrepreensível no sentido do evangelho: Sl 84.11 – “Porque o SENHOR Deus é sol e escudo; o SENHOR dá graça e glória; nenhum bem sonega aos que andam retamente.” Para quem? “Para aqueles que andam na retidão.”
Isto é bastante possível; aqui não há motivo para desespero. Isto é o que vai nos levar à bem-aventurança, quando estivermos perturbados por nossas falhas, e haverá um exercício diligente na purificação de nossos corações.
2. A obediência constante. Os homens maus têm os seus bons modos e devotos sofrimentos no caminho para o céu, mas eles não são duradouros. Eles vão com Deus, um passo ou dois. Mas é dito: “Aquele que anda na lei do Senhor.” Um homem perverso ora cansado da oração, e se professa cansado da santidade. Um homem é julgado pelo teor de sua vida, e não por uma ação – “Deleitar-se-á o perverso no Todo-Poderoso e invocará a Deus em todo o tempo?” Jó 27.10 . Muitos correm bem por um tempo, mas em breve param. Enoque andou com Deus 365 anos.
3. A obediência uniforme e completa: Êxodo 20.1 – “Falou Deus todas estas palavras.” Ele ordenou uma coisa, assim como outra, e a consciência se deu conta de todas.
Um servo não escolhe seu trabalho, mas o mestre. Um filho de Deus é uniforme tanto num lugar, bem como em outro, em casa e no exterior, em todas as passagens de sua vida, na prosperidade e na adversidade, “quer quando é honrado, quer quando é humilhado” Fp 4. Ele não é como Efraim como “um bolo que não foi virado,” mas há uma uniformidade. Porventura teria consciência de piedade e adoração, e não teria consciência de honestidade e justiça no trato com os homens? Será que ele teria consciência de seus atos, e não teria de suas palavras? Ele não daria a si mesmo um discurso ocioso e fútil. Um hipócrita se sente melhor quando ele é tomado em pedaços, mas um homem sincero se sente melhor quando ele é tomado por completo. Um cristão é sempre o mesmo. É notável na história da criação que Deus vê o trabalho de cada dia, e Deus viu que isso era bom; “E Deus viu todas as coisas que ele tinha feito, e eis que era muito bom”, ele as considerava por completo. Assim, um cristão está mais feliz em examinar o seu caminhar segundo o mandamento.
Em terceiro lugar, qual é a relação disto com a verdadeira bem-aventurança? Isto é o caminho para isto: ‘Bem-aventurados os retos em seus caminhos, que andam na lei do Senhor.” Isso aparecerá em dois aspectos:
(1) É o início da bem-aventurança. Semelhança com Deus é o fundamento da glória. Conformidade com ele será realizada “de glória em glória”, 2 Coríntios 3.18. E, como conformidade para a comunhão com Deus na beleza da santidade é o começo da felicidade: “Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça, e estarei satisfeito quando eu acordar com a tua semelhança”, Sl 17.15.
(2). Obediência sincera e constante é a prova do nosso direito à bem-aventurança futura. Um homem tem algo para demonstrar isto, Mat 5.8. É uma evidência inclusiva: “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus”, e é uma evidência exclusiva: Heb 12.14, “Sem santidade ninguém verá o Senhor.” Bem, então, quando este é o nosso caminho e curso, podemos esperar a felicidade futura.
As Aplicações são-
1. Para mostrar que os homens carnais vivem como se procurassem miséria ao invés de felicidade: Prov 8.36, “Aquele que pecar contra mim fará mal à sua própria alma, todos que me odeiam amam a morte” Se um homem estivesse viajando para York, diria que seu objetivo era chegar a Londres? Será que esses homens que andam de tal modo profano buscam a felicidade? Isto é, o caminho da lei de Deus que conduz à verdadeira bem-aventurança?
2. Para incentivá-lo a andar de acordo com esta regra, se você quiser ser abençoado. Para este fim, deixe-me encorajá-lo a tomar a lei de Deus como a sua regra, o Espírito de Deus como o seu guia, as promessas como o seu encorajamento, e a glória de Deus como o seu fim.
[1] Tome a lei de Deus como a sua regra. Estude a mente de Deus, e conheça o caminho para o céu, e se mantenha exatamente no mesmo. Isto é uma prova de sinceridade, quando um homem tem o cuidado de praticar tudo o que ele sabe, e ser curioso para saber mais, mesmo que seja toda a vontade de Deus, e quando o coração está debaixo do temor da palavra de Deus.
Se um mandamento surge no caminho, isto é mais para o coração gracioso do que se mil ursos e leões estivessem, mais do que se um anjo estivesse no caminho com uma espada flamejante: Prov 13.13, “Aquele que teme o mandamento será recompensado.” Será que você quer as bênçãos de Deus? Tema o mandamento. Isto não significa aquele que teme a ira, a punição, inconveniências, os problemas do mundo, assédios da carne, não, mas aquele que teme transgredir um mandamento. Como em Jer 35.6: Vá, traga uma tentação, coloque potes de vinho diante dos recabitas. Oh, não se atreviam a beber deles. Por quê? “Jonadabe, filho de Recabe, nosso pai, nos ordenou, dizendo: não beberão vinho.” Assim, um filho de Deus, tem razão quando o diabo vem e apresenta uma tentação diante dele, e zeloso de Deus, não se atreve a cumprir com os desejos e humores dos homens, embora eles possam lhe prometer paz, felicidade e abundância
[2] Tome o Espírito de Deus para ser o seu guia. Nunca podemos andar no caminho de Deus, sem a direção do Espírito de Deus. Devemos não somente ter um modo, mas uma voz para nos dirigir quando estamos andando: Isa 30. 21: “E os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: Este é o caminho, andai por ele.” Ovelhas têm um pastor, e as crianças que aprendem a escrever devem ter um professor, e por isso não é o suficiente ter uma regra, mas termos um guia, um monitor, para nos colocar na mente o nosso dever. Os israelitas tinham uma coluna de nuvem durante o dia e uma coluna de fogo à noite. A igreja evangélica não é destituída de um guia: Os 37.24 – “Tu me guias com o teu conselho, e depois me receberás na glória.” O Espírito de Deus é o guia e diretor para nos alertar sobre o nosso dever.
[3] As promessas para o seu encorajamento. Se você olhar ao redor, viverá por sentido, e não pela fé, você terá desânimos suficientes. Como um homem deve se conduzir através das tentações do mundo com honra a Deus? 2 Pedro 1.4 – “no qual são dadas a nós preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção que há no mundo pela concupiscência.” Quando temos promessas para nos guardar, isso vai nos conduzir puros através das tentações, e nos fazer agir com generosidade, nobreza e nos manter perto do Senhor.
[4] Fixar a glória de Deus como o seu objetivo, senão isto será um curso carnal. A vida espiritual é viver para Deus, Gál 2.20 , quando Ele é tido como o fim de cada ação nossa. Você tem um caminho a tomar, e se você dormir ou acordar, sua jornada ainda é um curso. Como em um navio, se os homens sentam, deitam, estão de pé, se comem ou dormem, o navio mantém seu curso, e vai para o seu porto, de modo que todos estão indo para um outro mundo, ou para o céu ou para o inferno, no caminho amplo ou no estreito.
E, então considere quão confortável será o final da sua viagem, na hora da morte, ter sido sem mácula no caminho; então os homens maus que estão contaminados em seu caminho desejarão que eles tivessem se mantido mais próximos de Deus. Os homens terão então outras noções, de santidade do que tinham anteriormente. Oh, então eles desejarão que tivessem sido mais cautelosos.
DOCT 3 Como será abençoado aquele que anda em conformidade com a regra de Deus?
1. Ele está livre da ira. Ele tem a sua quitação, e a bem-aventurança de um homem perdoado: João 5.24, “Aquele que crê em Cristo tem a vida eterna, e não entrará em condenação, pois já passou da morte para a vida.” Ele está fora do perigo de perecer, o que é uma grande misericórdia.
2. Ele está debaixo do favor e amizade de Deus: João 15.14, ‘Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. ” Há uma verdadeira amizade estabelecida entre nós e Cristo, não somente no ponto de harmonia e concordância de espírito, mas prazer mútuo e comunhão uns com os outros.
3. Ele está sob os cuidados especiais e conduta da providência de Deus, que ele jamais perderá: 1 Coríntios 3.23 , “Todas as coisas são vossas, e vós sois de Cristo e Cristo é de Deus.” Todas as condições de sua vida são anuladas para o bem; suas bênçãos são santificadas, e suas misérias extintas: Rom 8.28: “E sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.”
4. Ele tem a certeza de um pacto para a glória eterna: 1 João 3.1: “Eis que agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser,” etc. Um título nada é antes que se venha a desfrutar uma propriedade? Reputamos um herdeiro mundano feliz, tanto quanto aquele que já se encontra na posse do bem, e não somos herdeiros felizes de Deus?
5. Ele tem experiências doces da bondade de Deus para com ele aqui neste mundo: Sl 17.15: “Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça, vou estar satisfeito quando eu acordar com a tua semelhança.” A alegria da presença e do sentido do amor do Senhor contrabalançará todas as alegrias do mundo.
6. Ele tem uma grande paz: Gál 5.16: “E a todos quantos andarem conforme esta regra, a paz esteja com eles, e misericórdia, e sobre o Israel de Deus.” Obediência e caminhar santo trazem paz: “Grande paz têm os que amam a tua lei, e neles não há tropeço”, Sl 119.165, como há paz na natureza, quando todas as coisas mantêm o seu lugar e a ordem. Esta paz os outros não podem ter. Há uma diferença entre um mar morto e um mar calmo. Eles podem ter uma consciência estúpida, não uma consciência tranquila. A virtude deste ópio em breve acabará; e a consciência voltará a ser despertada.
APLICAÇÃO.
Oh então, deixe-nos tomar parte nesta bem-aventurança! Há dois estímulos no serviço de Cristo – nossas tribulações e nossas recompensas. Nossas recompensas devem ser suficientes, o gozo eterno em si mesmo. Mas, oh! clamamos do tédio do caminho. Temos também nossas aflições, que não são desprezíveis. Se um homem oferecesse um senhorio ou fazenda para outro, e este dissesse: O caminho é sujo e perigoso, o clima muito problemático, eu não vou cuidar dela, você não iria acusar este homem de loucura, que ama a sua facilidade e prazer? Mas agora, se este homem tivesse a garantia de um caminho agradável e bom, mas se ele tivesse que fazer um pouco de esforço para vê-lo, não seria de fato uma loucura irracional recusá-lo. Nosso Senhor tem feito uma bendita herança nos termos do evangelho, mas estamos cheios de preconceitos, porque pensamos que cumprir a regra poderá trazer problemas, e nos privar de muitas vantagens de ganho, e pensamos que nunca mais teremos um boa dia. Mas temos a certeza de que há uma grande bênção andar junto com o jugo de Deus; e temos a promessa do gozo da presença de Deus, onde há prazeres para sempre, isto deve fazer-nos despertar na obra do Senhor.
Semeando o Evangelho
Semear a Verdade e o Amor de Deus
quarta-feira, 11 de julho de 2018
FORÇA PARA O DIA - DEVOCIONAL JOHN MACARTHUR
PRESERVANDO A INTEGRIDADE ESPIRITUAL
[…] Para que vocês aprovem as coisas excelentes e sejam sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo (Filipenses 1:10).
Procure ter uma vida sob análise meticulosa.
Em nossa sociedade, aqueles cujas vidas são marcadas pela solidez moral, retidão, honestidade e sinceridade, geralmente são considerados pessoas íntegras. No entanto, os padrões da sociedade muitas vezes ficam muito aquém dos padrões de Deus. A integridade espiritual exige o padrão de comportamento mais alto possível e requer recursos sobrenaturais disponíveis apenas para aqueles que confiam em Deus.
A oração de Paulo, em Filipenses 1:9-10, descreve o caminho para a integridade espiritual. Começa com o amor que abunda em conhecimento e discernimento (v. 9) e progride para a busca da excelência (v. 10). O resultado é sinceridade e irrepreensibilidade – duas características da integridade divina.
A palavra grega traduzida como sinceros, no versículo 10, fala de genuinidade e autenticidade. Significa, literalmente, “sem graxo”, e é uma alusão à prática de inspecionar a cerâmica, conservando-a sob a luz do sol. Na antiguidade, a cerâmica era frequentemente quebrada durante o processo de queima. Em vez de descartar pedaços quebrados, os comerciantes desonestos muitas vezes enchiam as fissuras com cera e as vendiam a clientes ingênuos. Manter um vaso sob a luz do sol revelava todas as falhas e protegia o cliente de um prejuízo na compra.
Seguindo essa analogia, a integridade bíblica exige que você esteja “sem graxo”, isto é, sem hipocrisia ou pecados secretos que aparecem quando você está sob pressão ou enfrenta a tentação.
“Sem culpa” fala da consistência em viver uma vida que não leva os outros ao erro ou ao pecado. Seu padrão é o mesmo longe da igreja como dentro da igreja.
Ser “irrepreensível” não é fácil em um mundo que exibe as práticas pecaminosas sem pudor algum. Você deve se proteger contra a perda de sua sensibilidade ao mal-estar do pecado e, inconscientemente, começar a tolerar ou mesmo aceitar o pecado que uma vez o surpreendeu. Isso acontece quando você perde a integridade e começa a fazer com que outros tropecem.
Busque diligentemente a integridade com uma visão para glorificar a Cristo em todas as coisas até Ele retornar!
Sugestão para oração
Graças a Deus que Ele é capaz de evitar que você tropece, fazendo com que você permaneça em Sua presença irrepreensível com grande alegria (Judas 24).
Proteja seu coração e mente [em suas orações] das influências malignas sutis que podem corroer sua integridade e torná-lo ineficaz para o Senhor.
Estudo adicional
Leia Gênesis 39.
Como a integridade de José foi desafiada?
Como Deus honrou o compromisso de José com a integridade?
[…] Para que vocês aprovem as coisas excelentes e sejam sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo (Filipenses 1:10).
Procure ter uma vida sob análise meticulosa.
Em nossa sociedade, aqueles cujas vidas são marcadas pela solidez moral, retidão, honestidade e sinceridade, geralmente são considerados pessoas íntegras. No entanto, os padrões da sociedade muitas vezes ficam muito aquém dos padrões de Deus. A integridade espiritual exige o padrão de comportamento mais alto possível e requer recursos sobrenaturais disponíveis apenas para aqueles que confiam em Deus.
A oração de Paulo, em Filipenses 1:9-10, descreve o caminho para a integridade espiritual. Começa com o amor que abunda em conhecimento e discernimento (v. 9) e progride para a busca da excelência (v. 10). O resultado é sinceridade e irrepreensibilidade – duas características da integridade divina.
A palavra grega traduzida como sinceros, no versículo 10, fala de genuinidade e autenticidade. Significa, literalmente, “sem graxo”, e é uma alusão à prática de inspecionar a cerâmica, conservando-a sob a luz do sol. Na antiguidade, a cerâmica era frequentemente quebrada durante o processo de queima. Em vez de descartar pedaços quebrados, os comerciantes desonestos muitas vezes enchiam as fissuras com cera e as vendiam a clientes ingênuos. Manter um vaso sob a luz do sol revelava todas as falhas e protegia o cliente de um prejuízo na compra.
Seguindo essa analogia, a integridade bíblica exige que você esteja “sem graxo”, isto é, sem hipocrisia ou pecados secretos que aparecem quando você está sob pressão ou enfrenta a tentação.
“Sem culpa” fala da consistência em viver uma vida que não leva os outros ao erro ou ao pecado. Seu padrão é o mesmo longe da igreja como dentro da igreja.
Ser “irrepreensível” não é fácil em um mundo que exibe as práticas pecaminosas sem pudor algum. Você deve se proteger contra a perda de sua sensibilidade ao mal-estar do pecado e, inconscientemente, começar a tolerar ou mesmo aceitar o pecado que uma vez o surpreendeu. Isso acontece quando você perde a integridade e começa a fazer com que outros tropecem.
Busque diligentemente a integridade com uma visão para glorificar a Cristo em todas as coisas até Ele retornar!
Sugestão para oração
Graças a Deus que Ele é capaz de evitar que você tropece, fazendo com que você permaneça em Sua presença irrepreensível com grande alegria (Judas 24).
Proteja seu coração e mente [em suas orações] das influências malignas sutis que podem corroer sua integridade e torná-lo ineficaz para o Senhor.
Estudo adicional
Leia Gênesis 39.
Como a integridade de José foi desafiada?
Como Deus honrou o compromisso de José com a integridade?
Devocional Alegria Inabalável - John Piper
ELE CONHECE A SUA NECESSIDADE
Versículo do dia:Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas. (Mateus 6.31-32)
Jesus deseja que seus seguidores sejam livres da preocupação. Em Mateus 6.25-34, ele dá pelo menos sete argumentos com o propósito de remover a nossa ansiedade. Um deles lista comida, bebida e roupas, e então diz: “vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas” (Mateus 6.32).
Jesus deve intencionar que o conhecimento de Deus é acompanhado por seu desejo de satisfazer nossa necessidade. Ele está enfatizando que temos um Pai e que este Pai é melhor do que um pai terreno.
Eu tenho cinco filhos. Eu amo satisfazer suas necessidades. Porém, meu conhecimento fica aquém de Deus em pelo menos três maneiras.
Em primeiro lugar, agora mesmo eu não sei onde eles estão. Eu poderia presumir. Eles estão em suas casas, no trabalho ou na escola, saudáveis e seguros. Mas, eles podem estar caídos em uma calçada tendo um ataque cardíaco.
Em segundo lugar, eu não sei o que está no coração deles em um dado momento. Eu posso imaginar de vez em quando. Porém, eles podem estar sentindo medo, dor, raiva, luxúria, ganância, alegria ou esperança. Eu não consigo ver seus corações.
Em terceiro lugar, eu não conheço o futuro deles. Agora, eles podem parecer bem e estáveis. Porém, amanhã uma grande tristeza pode vir sobre eles.
Isso significa que eu não posso ser para eles uma razão muito forte para que não se preocupem. Há coisas que podem estar acontecendo com eles agora ou podem acontecer amanhã que eu não conheço. Mas, é totalmente diferente com Pai celestial deles. Ele sabe tudo sobre eles agora e amanhã, por fora e por dentro. Ele vê todas as necessidades.
Acrescente a isso, sua enorme disposição em atender às necessidades deles (o “quanto mais” de Mateus 6.30).
Adicione a isso sua completa capacidade de fazer o que deseja (ele alimenta bilhões de aves por hora, Mateus 6.26).
Então, junte-se a mim, confiando na promessa de Jesus de satisfazer as nossas necessidades. É isso que Jesus está indicando quando diz: “Vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas”.
Versículo do dia:Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas. (Mateus 6.31-32)
Jesus deseja que seus seguidores sejam livres da preocupação. Em Mateus 6.25-34, ele dá pelo menos sete argumentos com o propósito de remover a nossa ansiedade. Um deles lista comida, bebida e roupas, e então diz: “vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas” (Mateus 6.32).
Jesus deve intencionar que o conhecimento de Deus é acompanhado por seu desejo de satisfazer nossa necessidade. Ele está enfatizando que temos um Pai e que este Pai é melhor do que um pai terreno.
Eu tenho cinco filhos. Eu amo satisfazer suas necessidades. Porém, meu conhecimento fica aquém de Deus em pelo menos três maneiras.
Em primeiro lugar, agora mesmo eu não sei onde eles estão. Eu poderia presumir. Eles estão em suas casas, no trabalho ou na escola, saudáveis e seguros. Mas, eles podem estar caídos em uma calçada tendo um ataque cardíaco.
Em segundo lugar, eu não sei o que está no coração deles em um dado momento. Eu posso imaginar de vez em quando. Porém, eles podem estar sentindo medo, dor, raiva, luxúria, ganância, alegria ou esperança. Eu não consigo ver seus corações.
Em terceiro lugar, eu não conheço o futuro deles. Agora, eles podem parecer bem e estáveis. Porém, amanhã uma grande tristeza pode vir sobre eles.
Isso significa que eu não posso ser para eles uma razão muito forte para que não se preocupem. Há coisas que podem estar acontecendo com eles agora ou podem acontecer amanhã que eu não conheço. Mas, é totalmente diferente com Pai celestial deles. Ele sabe tudo sobre eles agora e amanhã, por fora e por dentro. Ele vê todas as necessidades.
Acrescente a isso, sua enorme disposição em atender às necessidades deles (o “quanto mais” de Mateus 6.30).
Adicione a isso sua completa capacidade de fazer o que deseja (ele alimenta bilhões de aves por hora, Mateus 6.26).
Então, junte-se a mim, confiando na promessa de Jesus de satisfazer as nossas necessidades. É isso que Jesus está indicando quando diz: “Vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas”.
Devocional Do Dia - Charles Spurgeon
Versículo do dia: “Vosso Pai celeste.” (Mateus 6.26)
Sem dúvida alguma, o povo de Deus é duas vezes filho de Deus: são a descendência de Deus por criação e filhos dele por adoção, em Cristo, Por isso, desfrutam do privilégio de chama-Lo “Pai nosso, que estás nos céus” (Mateus 6.9).
Pai… Que palavra preciosa! Ela expressa autoridade. “Se eu sou pai, onde está a minha honra?” (Malaquias 1.6). E se vocês são filhos, onde está sua obediência? Nesta palavra, encontramos afeição mesclada com autoridade – uma autoridade que não provoca rebeldia; uma obediência exigida que Lhe deve ser prestada com muita alegria. A obediência que os filhos de Deus manifestam tem de ser uma obediência de amor. Não realize a obra de Deus como os escravos fazem o trabalho de seu senhor; siga o caminho dos mandamentos de seu Senhor porque é o caminho de seu Pai. Ofereçam seus corpos como instrumentos de santidade (ver Romanos 6.13), porque esta é a vontade de seu Pai. A vontade dele tem de ser a vontade de seus filhos.
Pai… este é um atributo majestoso tão coberto de amor que a coroa é esquecida, devido à visão do rosto do Rei. O seu cetro não mais é uma barra de ferro, mas um cetro de prata de misericórdia; este também é esquecido por conta da terna mão que o empunha. Pai! Esta palavra expressa honra e amor. Quão grande é o amor de um pai por seus filhos. Aquilo que a amizade não consegue e que a simples benevolência não alcança, isso mesmo o coração e a mão de um pai realizará por seus filhos. Os filhos são a descendência do pai, que tem de abençoá-los. Eles são filhos aos quais ele se mostrará forte em defendê-los. Se um pai terreno cuida de seus filhos, com incessante amor e atenção, quanto melhor o faz nosso Pai celestial. “Aba, Pai!” Aquele que pode proferir estas palavras entoa uma música que nem mesmo os querubins e serafins são capazes de entoar. Existe um céu na profundidade desta palavra – Pai! Nela se encontram tudo que eu pedir, tudo que minhas necessidades demandam, tudo que possa desejar. Tudo eu tenho agora e o terei por toda eternidade quando posso dizer: “Pai”.
Sem dúvida alguma, o povo de Deus é duas vezes filho de Deus: são a descendência de Deus por criação e filhos dele por adoção, em Cristo, Por isso, desfrutam do privilégio de chama-Lo “Pai nosso, que estás nos céus” (Mateus 6.9).
Pai… Que palavra preciosa! Ela expressa autoridade. “Se eu sou pai, onde está a minha honra?” (Malaquias 1.6). E se vocês são filhos, onde está sua obediência? Nesta palavra, encontramos afeição mesclada com autoridade – uma autoridade que não provoca rebeldia; uma obediência exigida que Lhe deve ser prestada com muita alegria. A obediência que os filhos de Deus manifestam tem de ser uma obediência de amor. Não realize a obra de Deus como os escravos fazem o trabalho de seu senhor; siga o caminho dos mandamentos de seu Senhor porque é o caminho de seu Pai. Ofereçam seus corpos como instrumentos de santidade (ver Romanos 6.13), porque esta é a vontade de seu Pai. A vontade dele tem de ser a vontade de seus filhos.
Pai… este é um atributo majestoso tão coberto de amor que a coroa é esquecida, devido à visão do rosto do Rei. O seu cetro não mais é uma barra de ferro, mas um cetro de prata de misericórdia; este também é esquecido por conta da terna mão que o empunha. Pai! Esta palavra expressa honra e amor. Quão grande é o amor de um pai por seus filhos. Aquilo que a amizade não consegue e que a simples benevolência não alcança, isso mesmo o coração e a mão de um pai realizará por seus filhos. Os filhos são a descendência do pai, que tem de abençoá-los. Eles são filhos aos quais ele se mostrará forte em defendê-los. Se um pai terreno cuida de seus filhos, com incessante amor e atenção, quanto melhor o faz nosso Pai celestial. “Aba, Pai!” Aquele que pode proferir estas palavras entoa uma música que nem mesmo os querubins e serafins são capazes de entoar. Existe um céu na profundidade desta palavra – Pai! Nela se encontram tudo que eu pedir, tudo que minhas necessidades demandam, tudo que possa desejar. Tudo eu tenho agora e o terei por toda eternidade quando posso dizer: “Pai”.
ERROS E HERESIAS NA APLICAÇÃO DO SERMÃO
Por Haddon Robinson
É quando estamos aplicando as Escrituras que há a maior probabilidade de infiltração de erro.
Maior quantidade de erro é pregado na aplicação do que na exegese da Bíblia. Os pregadores querem ser fiéis às Escrituras, e tendo passado pelo seminário, aprenderam a exegese. Mas eles podem não ter aprendido firmemente como percorrer a jornada do texto bíblico ao mundo moderno. Eles saem do seminário e percebem que a questão do pregador é a aplicação: como você usa este texto e determina o que ele significa para a plateia?
Às vezes, aplicamos o texto de maneiras que fazem o autor bíblico dizer: “Espere um pouco, isso é um abuso do que eu disse”. Essa é a heresia de uma boa verdade aplicada da maneira errada.
Por exemplo, ouvi alguém pregar um sermão de Rute sobre como lidar com sogros, sogras, genros e noras. Bem, é verdade que em Rute você tem sogros, sogras, genros e noras. O problema é que o livro de Rute não foi escrito para dar conselhos sobre como resolver problemas relacionados a sogros, sogras, genros e noras. Esse sermão teve várias aplicações práticas, mas elas não vieram das Escrituras.
Mas qual é o problema, você pode perguntar, com pregar algo verdadeiro e útil, mesmo se isso não for o ponto central de seu texto ou não for o que o autor tinha em mente? Bem, quando pregamos a Bíblia, pregamos com autoridade bíblica. Como Agostinho disse, o que a Bíblia diz, Deus diz. Portanto, estamos aplicando, digamos, à questão de sogros e genros, a plena autoridade de Deus. Uma pessoa ouvindo o sermão pensa: Se eu não lido com minha sogra deste modo, estou desobedecendo a Deus. Isso é violentar a Bíblia. Você está dizendo o que a Bíblia não diz. Por meio desse processo, você mina as Escrituras. No final das contas, as pessoas passam a acreditar que qualquer coisa com um toque bíblico é o que Deus diz.
O efeito, em longo prazo, é que pregamos mitologia. O mito tem um elemento de verdade com uma grande quantidade de vento, e as pessoas tendem a viver no vento. Elas vivem com as implicações das implicações e, depois, descobrem que o que achavam que Deus prometeu ele não prometeu.
Há uma semana, conversei com uma jovem senhora cujo marido a havia abandonado. Ela disse: “Eu tentei ser submissa. A Bíblia não diz que se uma pessoa se submete, vai ter um casamento feliz e bem-sucedido?”.
“Não”, disse eu, “a Bíblia não diz isso”.
Ela retrucou: “Eu fui a seminários e ouvi isso”.
“O que a Bíblia diz é que você tem sua responsabilidade como esposa. Um marido também tem a responsabilidade dele. Mas o melhor que você pode conseguir é um casamento nota 7. Não há garantia de que você terá um casamento nota 10”.
A ponte difícil do então para o agora
Na aplicação, tentamos usar o que acreditamos ser a verdade do Deus eterno, dada em uma época, lugar e situação particulares e aplicá-la a pessoas no mundo moderno, que vivem em outra época, outro lugar e em situações bem diferentes. Isso é mais difícil do que parece.
A Bíblia é específica, mas minha platéia é geral. Por exemplo, um homem ouvindo um sermão pode se identificar com Davi cometendo adultério com Bate-Seba, mas ele não é um rei e não comanda exércitos. Precisamos usar esse texto que é historicamente específico e determinar como o Deus vivo fala a partir dele para pessoas hoje.
Pregadores podem realizar essa jornada de diferentes maneiras. Uma é levar o texto bíblico direto para a situação moderna. Em alguns casos, isso funciona bem. Por exemplo, Jesus diz: “Amem os seus inimigos”. Digo para os meus ouvintes: “Você tem inimigos? Ame-os”.
Mas, a seguir, viro a página, e Jesus diz: “venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me”. Hesito em aplicar isso diretamente porque penso: Se todo mundo fizer isso, teremos problemas, grandes problemas.
Alguns textos parecem que podem se aplicar diretamente à minha plateia contemporânea, mas não necessariamente. Preciso conhecer algo a respeito das circunstâncias tanto de meu texto como da minha platéia. Por exemplo, posso fazer a pergunta, como muitos cristãos fizeram no século passado: “A escravidão é errada?”. Vou até Paulo, que diz que escravos devem obedecer a seus senhores. Mas quando entro nesse mundo, descubro que ele não está necessariamente respondendo a minhas questões sobre o século XIX nos Estados Unidos, porque a escravidão de que Paulo fala não é a escravidão que nós conhecemos no século XIX.
No século 1, as pessoas se vendiam à escravidão porque estavam economicamente em melhor situação como escravos, protegidas por seus donos, do que quando eram livres. A maioria dos escravos era libertada com 30 anos de idade, porque era economicamente difícil manter escravos naqueles dias. A lei romana dizia que um dono de escravos não podia lidar com os escravos como bem entendesse. E se você andasse pelas ruas de Roma, não conseguia distinguir os escravos dos homens livres pela cor de sua pele. Se eu não percebo que a situação de Paulo e a minha são diferentes, posso aplicar a recomendação de Paulo sobre escravos de um modo que nunca foi a intenção do autor.
Outra dificuldade é que Paulo fala a pessoas que não posso ver nem ouvir. É como ouvir somente um lado de uma conversa telefônica. Penso que sei o que a outra pessoa está dizendo, mas não posso ter certeza. Posso apenas conjecturar a conversa completa a partir do que ouço uma pessoa dizendo. As perguntas que o autor bíblico responde não são necessariamente as minhas perguntas.
Há sinais que podem indicar que estamos confundindo as perguntas. Devemos lembrar que não podemos fazer um texto dizer o que nunca quis dizer. Isto é, quando Paulo escreveu às pessoas de seus dias, ele esperava que elas entendessem o que queria dizer. Por exemplo, temos umas 30 explicações diferentes para o que Paulo quis dizer quando escreveu aos coríntios sobre o batismo pelos mortos. Mas as pessoas que leram aquela carta pela primeira vez não disseram: “O que será que ele quer dizer com isso?”. Elas podem ter tido perguntas posteriores, mas o significado do assunto estava claro para elas.
Não posso fazer essa passagem dizer algo hoje em dia que não quis dizer em princípio no mundo daquele tempo. É por isso que preciso fazer a exegese. Preciso ser honesto com o texto antes de poder ir até o mundo contemporâneo.
Escada de abstração
Imagino uma “escada de abstração” que vai lá de antigamente, do mundo bíblico, e atravessa os séculos e toca o cenário moderno. Preciso estar consciente de como atravesso essa “escada de abstração”. Quero me certificar de que a situação bíblica e a situação atual são análogas nos pontos em que as faço conectar. Preciso ter certeza de que o centro da analogia conecta, não os extremos.
Às vezes, enquanto trabalho com um texto, preciso subir a escada de abstração até que atinja a intenção do texto. Por exemplo, Deuteronômio diz: “Não cozinhem o cabrito no leite da própria mãe”. Primeiro, você precisa perguntar: “Do que se trata aqui?”. Aplicando esse texto de forma literal, você pode pensar: Se eu tenho um cabrito e quero cozinhá-lo no leite de sua mãe para o jantar hoje à noite, eu deveria pensar duas vezes antes de fazer isso. Mas sabemos que os pagãos faziam isso quando adoravam seus ídolos. Portanto, o que você tem aqui não é uma proibição contra cozinhar um cabrito no leite de sua mãe, mas contra estar envolvido na idolatria que rodeava o povo de Deus ou contra trazer as práticas deles à sua religião.
Se esse é o caso, não é bom o pregador aplicar esse texto diretamente. Você precisa subir a escada de abstração alguns degraus até atingir o princípio: você não deve se associar ao louvor idólatra, nem mesmo de formas que não parecem ter associação direta com ir fisicamente até o ídolo.
Digamos que você saiba que uma passagem não pode atravessar essa escada diretamente. O que você poderia fazer?
Abstraia até chegar a Deus. Uma coisa que sempre faço quando subo a escada de abstração é abstrair até Deus. Toda passagem tem uma visão de Deus, do Senhor como Criador ou Sustentador.
Encontre o fator de depravação. Em seguida, pergunto: “Qual é o fator de depravação? O que na humanidade se rebela contra a visão de Deus?”.
Essas duas primeiras perguntas são um indício útil na aplicação porque Deus permanece o mesmo, e a depravação humana permanece a mesma. Nossa depravação pode parecer diferente, mas é o mesmo orgulho, a mesma obstinação e a mesma desobediência.
Considere 1 Coríntios 8, em que Paulo trata do tema de comer carne oferecida aos ídolos. A visão de Deus: Ele é nosso Redentor. Portanto, Paulo argumenta: não comerei carne, porque firo a consciência fraca de meu irmão e, portanto, peco contra Cristo, que o redimiu. O fator de depravação: As pessoas querem seus direitos, assim não se importam com o fato de que Cristo morreu por seu irmão.
O Espírito Santo e a Palavra
O Espírito Santo tem um papel direto no processo de aplicar o texto à vida do ouvinte. O Espírito Santo responde à Palavra. Se sou fiel às Escrituras, dou ao Espírito Santo algo para trabalhar que ele não tem se estiver pregando para a revista Seleções.
É quando estamos aplicando as Escrituras que há a maior probabilidade de infiltração de erro.
Maior quantidade de erro é pregado na aplicação do que na exegese da Bíblia. Os pregadores querem ser fiéis às Escrituras, e tendo passado pelo seminário, aprenderam a exegese. Mas eles podem não ter aprendido firmemente como percorrer a jornada do texto bíblico ao mundo moderno. Eles saem do seminário e percebem que a questão do pregador é a aplicação: como você usa este texto e determina o que ele significa para a plateia?
Às vezes, aplicamos o texto de maneiras que fazem o autor bíblico dizer: “Espere um pouco, isso é um abuso do que eu disse”. Essa é a heresia de uma boa verdade aplicada da maneira errada.
Por exemplo, ouvi alguém pregar um sermão de Rute sobre como lidar com sogros, sogras, genros e noras. Bem, é verdade que em Rute você tem sogros, sogras, genros e noras. O problema é que o livro de Rute não foi escrito para dar conselhos sobre como resolver problemas relacionados a sogros, sogras, genros e noras. Esse sermão teve várias aplicações práticas, mas elas não vieram das Escrituras.
Mas qual é o problema, você pode perguntar, com pregar algo verdadeiro e útil, mesmo se isso não for o ponto central de seu texto ou não for o que o autor tinha em mente? Bem, quando pregamos a Bíblia, pregamos com autoridade bíblica. Como Agostinho disse, o que a Bíblia diz, Deus diz. Portanto, estamos aplicando, digamos, à questão de sogros e genros, a plena autoridade de Deus. Uma pessoa ouvindo o sermão pensa: Se eu não lido com minha sogra deste modo, estou desobedecendo a Deus. Isso é violentar a Bíblia. Você está dizendo o que a Bíblia não diz. Por meio desse processo, você mina as Escrituras. No final das contas, as pessoas passam a acreditar que qualquer coisa com um toque bíblico é o que Deus diz.
O efeito, em longo prazo, é que pregamos mitologia. O mito tem um elemento de verdade com uma grande quantidade de vento, e as pessoas tendem a viver no vento. Elas vivem com as implicações das implicações e, depois, descobrem que o que achavam que Deus prometeu ele não prometeu.
Há uma semana, conversei com uma jovem senhora cujo marido a havia abandonado. Ela disse: “Eu tentei ser submissa. A Bíblia não diz que se uma pessoa se submete, vai ter um casamento feliz e bem-sucedido?”.
“Não”, disse eu, “a Bíblia não diz isso”.
Ela retrucou: “Eu fui a seminários e ouvi isso”.
“O que a Bíblia diz é que você tem sua responsabilidade como esposa. Um marido também tem a responsabilidade dele. Mas o melhor que você pode conseguir é um casamento nota 7. Não há garantia de que você terá um casamento nota 10”.
A ponte difícil do então para o agora
Na aplicação, tentamos usar o que acreditamos ser a verdade do Deus eterno, dada em uma época, lugar e situação particulares e aplicá-la a pessoas no mundo moderno, que vivem em outra época, outro lugar e em situações bem diferentes. Isso é mais difícil do que parece.
A Bíblia é específica, mas minha platéia é geral. Por exemplo, um homem ouvindo um sermão pode se identificar com Davi cometendo adultério com Bate-Seba, mas ele não é um rei e não comanda exércitos. Precisamos usar esse texto que é historicamente específico e determinar como o Deus vivo fala a partir dele para pessoas hoje.
Pregadores podem realizar essa jornada de diferentes maneiras. Uma é levar o texto bíblico direto para a situação moderna. Em alguns casos, isso funciona bem. Por exemplo, Jesus diz: “Amem os seus inimigos”. Digo para os meus ouvintes: “Você tem inimigos? Ame-os”.
Mas, a seguir, viro a página, e Jesus diz: “venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me”. Hesito em aplicar isso diretamente porque penso: Se todo mundo fizer isso, teremos problemas, grandes problemas.
Alguns textos parecem que podem se aplicar diretamente à minha plateia contemporânea, mas não necessariamente. Preciso conhecer algo a respeito das circunstâncias tanto de meu texto como da minha platéia. Por exemplo, posso fazer a pergunta, como muitos cristãos fizeram no século passado: “A escravidão é errada?”. Vou até Paulo, que diz que escravos devem obedecer a seus senhores. Mas quando entro nesse mundo, descubro que ele não está necessariamente respondendo a minhas questões sobre o século XIX nos Estados Unidos, porque a escravidão de que Paulo fala não é a escravidão que nós conhecemos no século XIX.
No século 1, as pessoas se vendiam à escravidão porque estavam economicamente em melhor situação como escravos, protegidas por seus donos, do que quando eram livres. A maioria dos escravos era libertada com 30 anos de idade, porque era economicamente difícil manter escravos naqueles dias. A lei romana dizia que um dono de escravos não podia lidar com os escravos como bem entendesse. E se você andasse pelas ruas de Roma, não conseguia distinguir os escravos dos homens livres pela cor de sua pele. Se eu não percebo que a situação de Paulo e a minha são diferentes, posso aplicar a recomendação de Paulo sobre escravos de um modo que nunca foi a intenção do autor.
Outra dificuldade é que Paulo fala a pessoas que não posso ver nem ouvir. É como ouvir somente um lado de uma conversa telefônica. Penso que sei o que a outra pessoa está dizendo, mas não posso ter certeza. Posso apenas conjecturar a conversa completa a partir do que ouço uma pessoa dizendo. As perguntas que o autor bíblico responde não são necessariamente as minhas perguntas.
Há sinais que podem indicar que estamos confundindo as perguntas. Devemos lembrar que não podemos fazer um texto dizer o que nunca quis dizer. Isto é, quando Paulo escreveu às pessoas de seus dias, ele esperava que elas entendessem o que queria dizer. Por exemplo, temos umas 30 explicações diferentes para o que Paulo quis dizer quando escreveu aos coríntios sobre o batismo pelos mortos. Mas as pessoas que leram aquela carta pela primeira vez não disseram: “O que será que ele quer dizer com isso?”. Elas podem ter tido perguntas posteriores, mas o significado do assunto estava claro para elas.
Não posso fazer essa passagem dizer algo hoje em dia que não quis dizer em princípio no mundo daquele tempo. É por isso que preciso fazer a exegese. Preciso ser honesto com o texto antes de poder ir até o mundo contemporâneo.
Escada de abstração
Imagino uma “escada de abstração” que vai lá de antigamente, do mundo bíblico, e atravessa os séculos e toca o cenário moderno. Preciso estar consciente de como atravesso essa “escada de abstração”. Quero me certificar de que a situação bíblica e a situação atual são análogas nos pontos em que as faço conectar. Preciso ter certeza de que o centro da analogia conecta, não os extremos.
Às vezes, enquanto trabalho com um texto, preciso subir a escada de abstração até que atinja a intenção do texto. Por exemplo, Deuteronômio diz: “Não cozinhem o cabrito no leite da própria mãe”. Primeiro, você precisa perguntar: “Do que se trata aqui?”. Aplicando esse texto de forma literal, você pode pensar: Se eu tenho um cabrito e quero cozinhá-lo no leite de sua mãe para o jantar hoje à noite, eu deveria pensar duas vezes antes de fazer isso. Mas sabemos que os pagãos faziam isso quando adoravam seus ídolos. Portanto, o que você tem aqui não é uma proibição contra cozinhar um cabrito no leite de sua mãe, mas contra estar envolvido na idolatria que rodeava o povo de Deus ou contra trazer as práticas deles à sua religião.
Se esse é o caso, não é bom o pregador aplicar esse texto diretamente. Você precisa subir a escada de abstração alguns degraus até atingir o princípio: você não deve se associar ao louvor idólatra, nem mesmo de formas que não parecem ter associação direta com ir fisicamente até o ídolo.
Digamos que você saiba que uma passagem não pode atravessar essa escada diretamente. O que você poderia fazer?
Abstraia até chegar a Deus. Uma coisa que sempre faço quando subo a escada de abstração é abstrair até Deus. Toda passagem tem uma visão de Deus, do Senhor como Criador ou Sustentador.
Encontre o fator de depravação. Em seguida, pergunto: “Qual é o fator de depravação? O que na humanidade se rebela contra a visão de Deus?”.
Essas duas primeiras perguntas são um indício útil na aplicação porque Deus permanece o mesmo, e a depravação humana permanece a mesma. Nossa depravação pode parecer diferente, mas é o mesmo orgulho, a mesma obstinação e a mesma desobediência.
Considere 1 Coríntios 8, em que Paulo trata do tema de comer carne oferecida aos ídolos. A visão de Deus: Ele é nosso Redentor. Portanto, Paulo argumenta: não comerei carne, porque firo a consciência fraca de meu irmão e, portanto, peco contra Cristo, que o redimiu. O fator de depravação: As pessoas querem seus direitos, assim não se importam com o fato de que Cristo morreu por seu irmão.
O Espírito Santo e a Palavra
O Espírito Santo tem um papel direto no processo de aplicar o texto à vida do ouvinte. O Espírito Santo responde à Palavra. Se sou fiel às Escrituras, dou ao Espírito Santo algo para trabalhar que ele não tem se estiver pregando para a revista Seleções.
MILAGRES POR ENCOMENDA
Leia antes: Lucas 4:27-30
Como já vimos nos episódios anteriores, a ira dos judeus nestes versículos do capítulo 4 de Lucas tem vários motivos. O primeiro é por Jesus ter se declarado o Messias, conforme anunciado pelo profeta Isaías. Eles duvidam. Como pode o filho de José, um humilde carpinteiro, ser o rei prometido a Israel? O outro motivo do desgosto é o ciúme que vem à tona ao Jesus falar de como a graça de Deus beneficiou a viúva de Sarepta e o leproso Naamã, dois estrangeiros, quando em Israel havia tantas viúvas passando fome e leprosos precisando ser curados.
Os orgulhosos judeus jamais poderiam admitir que Deus agisse em graça para com aqueles desprezíveis exemplares de povos inimigos, enquanto o seu próprio povo se esforçava para merecer o favor de Deus. Se você for alguém que procura levar uma vida honesta e piedosa, o que é bom, porém na ilusão de que assim irá merecer a salvação, e fica indignado por Deus perdoar e salvar um pecador convicto, você é igual àqueles judeus. Se você acha injusto um criminoso arrependido ser salvo apenas pela fé em Jesus, você ainda não entendeu o que é graça.
Enquanto você se achar melhor que um ladrão, homicida ou estuprador não haverá salvação para você, pois você se sente justo ao comparar-se com eles. Mas não é com o bandido que você deve se comparar, e sim com Jesus, o Homem perfeito. Ele é o gabarito com qual somos comparados por Deus. Você é perfeito como Jesus? Você é sem pecado como Jesus? É claro que não! Então entre na fila dos que só podem ser salvos por graça, e não por obras, pois nenhum esforço ou mérito seu tem o poder de limpar pecados. Só o sangue de Cristo pode fazer isso.
Imagine Deus traçando um risco no chão e de um lado está Jesus. Aí ele diz para todos os que forem perfeitos como o Filho de Deus para que passem para o lado de Jesus. Quantos passariam? Você passaria? Nem eu. No fim descobriríamos que eu, você, o homicida, o traficante, a prostituta… todos, estaríamos do mesmo lado do risco e somente pela graça de Deus poderíamos ser transportados para o outro lado. Isso você obtém pela fé em Cristo e no seu sacrifício na cruz, a única obra que poderia satisfazer as justas e santas exigências de Deus.
Jesus revela o que está no coração dos judeus: “É claro que vocês me citarão este provérbio: ‘Médico, cura-te a ti mesmo! ‘ Faze aqui em tua terra o que ouvimos que fizeste em Cafarnaum”. Não, ele não irá atender as exigências dos ímpios. Deus é soberano, não obedece ao homem e seus milagres não são feitos por encomenda. Se você já viu em algum lugar uma placa do tipo “Às 19 horas grande noite de milagres”sabe do que estou falando. Que audácia marcar a hora de Deus agir, como se ele estivesse sob o comando de suas criaturas!
Como já vimos nos episódios anteriores, a ira dos judeus nestes versículos do capítulo 4 de Lucas tem vários motivos. O primeiro é por Jesus ter se declarado o Messias, conforme anunciado pelo profeta Isaías. Eles duvidam. Como pode o filho de José, um humilde carpinteiro, ser o rei prometido a Israel? O outro motivo do desgosto é o ciúme que vem à tona ao Jesus falar de como a graça de Deus beneficiou a viúva de Sarepta e o leproso Naamã, dois estrangeiros, quando em Israel havia tantas viúvas passando fome e leprosos precisando ser curados.
Os orgulhosos judeus jamais poderiam admitir que Deus agisse em graça para com aqueles desprezíveis exemplares de povos inimigos, enquanto o seu próprio povo se esforçava para merecer o favor de Deus. Se você for alguém que procura levar uma vida honesta e piedosa, o que é bom, porém na ilusão de que assim irá merecer a salvação, e fica indignado por Deus perdoar e salvar um pecador convicto, você é igual àqueles judeus. Se você acha injusto um criminoso arrependido ser salvo apenas pela fé em Jesus, você ainda não entendeu o que é graça.
Enquanto você se achar melhor que um ladrão, homicida ou estuprador não haverá salvação para você, pois você se sente justo ao comparar-se com eles. Mas não é com o bandido que você deve se comparar, e sim com Jesus, o Homem perfeito. Ele é o gabarito com qual somos comparados por Deus. Você é perfeito como Jesus? Você é sem pecado como Jesus? É claro que não! Então entre na fila dos que só podem ser salvos por graça, e não por obras, pois nenhum esforço ou mérito seu tem o poder de limpar pecados. Só o sangue de Cristo pode fazer isso.
Imagine Deus traçando um risco no chão e de um lado está Jesus. Aí ele diz para todos os que forem perfeitos como o Filho de Deus para que passem para o lado de Jesus. Quantos passariam? Você passaria? Nem eu. No fim descobriríamos que eu, você, o homicida, o traficante, a prostituta… todos, estaríamos do mesmo lado do risco e somente pela graça de Deus poderíamos ser transportados para o outro lado. Isso você obtém pela fé em Cristo e no seu sacrifício na cruz, a única obra que poderia satisfazer as justas e santas exigências de Deus.
Jesus revela o que está no coração dos judeus: “É claro que vocês me citarão este provérbio: ‘Médico, cura-te a ti mesmo! ‘ Faze aqui em tua terra o que ouvimos que fizeste em Cafarnaum”. Não, ele não irá atender as exigências dos ímpios. Deus é soberano, não obedece ao homem e seus milagres não são feitos por encomenda. Se você já viu em algum lugar uma placa do tipo “Às 19 horas grande noite de milagres”sabe do que estou falando. Que audácia marcar a hora de Deus agir, como se ele estivesse sob o comando de suas criaturas!
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